A Diferenciação na Responsabilidade Social

A Diferenciação na Responsabilidade Social

A responsabilidade social tem hoje uma relevância inquestionável, quer na comunicação, quer na relação das empresas e marcas com os seus stakeholders.

diferenciacao-responsabilidade-social

Neste artigo, entende-se responsabilidade social como o conjunto de responsabilidades que uma organização, voluntariamente, assume para com os seus stakeholders. Esse conjunto pode incluir, segundo Haski-Leventhal, as seguintes responsabilidades: ética, legal, económica, social, ambiental e filantrópica.

Varias razões convergem para esta realidade; por um lado o alargamento das funções da marca e a sua necessidade de gerar conteúdos, e por outro a necessidade de partilhar valor com a sociedade.

Se a responsabilidade social corporativa é uma componente inolvidável nos planos anuais das empresas e das marcas, pelas razões anteriormente expostas, também é recomendável que esses planos procurem, complementarmente, apoiar a diferenciação e aumentar as associações positivas a essas marcas e empresas.

Este é um desafio verdadeiramente aliciante face à imensidão de problemas existentes no mundo e na sociedade. Qual selecionar?

Penso que se deve ponderar os recursos a afetar e a capacidade de efetivamente fazer a diferença na contribuição para a resolução do problema selecionado. Deve ainda entrar na equação, o DNA da marca e da cultura empresarial, bem como os problemas que estão próximos ou são mesmo gerados pelo setor onde se insere o negócio.

Uma outra abordagem diferenciada é identificar os problemas e impactos gerados pela cadeia de valor onde o negócio está inserido e procurar através da inovação e/ou da disrupção minorar ou eliminar esses impactos. A economia circular é exemplo de um dos conceitos que pode inspirar formas de minorar ou mesmo solucionar problemas ambientais.

A responsabilidade social é uma realidade inquestionável. Se conseguirmos que os recursos a ela afetos acrescentem valor pela diferenciação e relevância para os stakeholders, então estamos a fazer uma desejável otimização desses recursos, dado o beneficio mutuo para a sociedade e para a empresa.

“Tech” – Buzzword da Moda

"Tech" - Buzzword da moda

Com o crescimento e penetração da tecnologia digital em todas as dimensões da sociedade, das organizações e da vida das pessoas, tornou-se relevante realçar essa presença da tecnologia.

tech-buzzword-moda

Mentalmente, e em boa parte na realidade, passaram como que a existir dois mundos, o anterior ao digital e o que já incorpora o digital.  O sufixo “Tech” tem vindo a fazer essa distinção, designando esta nova realidade onde o digital tem grande peso na maior parte das interações tanto na esfera social como profissional.

Como exemplo apresenta-se o MarTech para designar o marketing suportado em tecnologias digitais, essencialmente software (veja o mapa no link) que abarca desde o research à analise de resultados, passando por todas as comunicações, ativações e relacionamentos digitais.

O GovTech é outro exemplo, que designa todo um conjunto de aplicações que visam melhorar a prestação de serviços públicos que vão da defesa e segurança á educação e saúde e tem iniciativas em muitos países, inclusive Portugal e terá a sua primeira grande conferência no próximo mês de novembro em Paris.

Este “Admirável Mundo Novo” aumenta de velocidade e complexidade a cada dia que passa. A quantidade de soluções disponíveis pelo mundo fora é perto de infinita e torna-se difícil para os utilizadores de realmente beneficiar do valor acrescentado de cada uma delas. Para tal, necessitaríamos de um BrainTech, ou seja, um cérebro também com a inclusão de tecnologia digital. Nada que não esteja já pensado nas tendências evolutivas e ficcionado em inúmeros filmes.

Esta necessidade e evolução levanta muitas interrogações e medos, desde logo da perca de domínio do homem sobre a máquina; e também do perigo de violação da privacidade de pensamentos. Já pensou se alguém puder aceder aos seus mais impulsivos ou secretos pensamentos?

A necessidade de segurança da informação intima e pessoal vai ser crucial para estes desenvolvimentos, pois está ligada à perceção de confiança necessária para a sua adoção. As empresas que trabalharem nesta área terão o desafio de efetivar essa segurança e de a comunicar com credibilidade.

Creio que este será um dos fatores, a par do valor acrescentado, que levará à consolidação do mercado de todas estas aplicações tecnológicas desenvolvidas para nos facilitar a vida, mas que hoje dada a complexidade do mapa de players nos dificulta a compreensão, utilização e operacionalização.

E como será efetuada essa consolidação? As grandes empresas do universo digital (FAMGA) tomarão nas suas mãos a consolidação do setor? Ou serão as grandes empresas do universo dos media? Ou surgirão novas grandes empresas? Provavelmente um mix de tudo isto.

Seguimos disfrutando e atuando nesta nova Era.  

  • Artigo escrito e publicado em 2018

Portfolio e Território de Marcas

Portfolio e Território de Marcas

A criação de valor de uma marca consome tempo e recursos, pelo que as empresas têm de refletir, no médio/longo prazo, como organizar o seu portfolio de marcas por forma maximizar o valor do portfolio e garantir a satisfação dos seus stakeholders.

portfolio-teritorio-marcas

No limite da otimização pura, poder-se-ia afirmar que canalizando todos os recursos para uma marca, teríamos a possibilidade de ter um foco total e crescimento de valor em menor tempo. Acontece que esta situação é académica, pois existem fatores que inviabilizam.

Chamo a esses fatores, as dimensões do território da marca; sendo este a soma dos espaços que a marca ocupa nessas diferentes dimensões.

As dimensões do território da marca podem ter várias óticas, desde logo as variáveis do marketing mix, o tipo de serviço e o modelo de relacionamento com o cliente, bem como a perceção e experiência do cliente, que decorre obviamente, das anteriormente enumeradas.

As combinações destas dimensões são teoricamente infinitas, mas na prática assim não é porque existem algumas delas incompatíveis e é dessa incompatibilidade que surge necessidade de criar mais marcas e desenvolver portfolio.

Por exemplo, no negócio de vinhos, a dimensão preço, muito ligada á perceção de qualidade, inviabiliza uma marca que permita uma perceção de “value for money” e uma perceção de luxo, pois elas são mutuamente exclusivas.

Outro exemplo, mas no B2B tem a ver com a dimensão setor de atividade; por exemplo equipamentos para os setores médico e hospitalar não deverão ter a mesma marca que o setor doméstico ou de outro sector industrial, uma vez que as imagens de precisão, qualidade e exclusividade são também incompatíveis.

Contudo, como normalmente acontece nas ciências humanas, a subjetividade, origina a relativização da regra e, neste exemplo também se encontram exceções; são o caso da Siemens e da General Electric, que usando a mesma marca lhe apõem healthcare, criando assim uma submarca, mas beneficiando ainda de algumas sinergias através da “marca chapéu”.

 No exercício de desenvolvimento de um portfolio de marcas deve responder-se à questão: A extensão do território de uma marca existente para alargar mercado, vai acrescentar ou destruir valor de marca?

No caso de destruir valor, deve então ser avaliada a oportunidade de criar uma nova marca ou submarca.

A gestão de portfolio de marcas encerra em si também uma dimensão estratégica de mitigação do risco de negócio e de garante da sua longevidade de longo prazo.  Nesta análise podem utilizar-se múltiplas análises, normalmente em matriz, da qual destaco a clássica a matriz da BCG.

Esta palavras não esgotam o tema, apenas constituem a partilha de algumas reflexões sobre ele, neste tempo de reflexão estratégica que para mim é o final de ano.

Votos de Boas Festas.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

O Paradigma 4.0 nos RH – Impactos e Tendência

O Paradigma 4.0 nos RH - Impactos e Tendência

O atual contexto socioeconómico é configurado pelo paradigma tecnológico em que vivemos, que,
obviamente, impacta significativamente a área dos recursos humanos.

Neste white paper propomo-nos definir os contornos desta temática, avaliando os seus impactos na gestão de recursos humanos em geral e em algumas das suas áreas especificas, como por exemplo o recrutamento e a formação.

Algumas Definições Prévias

O Paradigma 4.0 pode ser definido como tendo origem na revolução industrial 4.0, que surgiu com o aparecimento do computador pessoal (PC), dos sistemas de informação e do desenvolvimento das telecomunicações. Esta realidade tecnológica proporcionou a capacidade para o tratamento e difusão de massivas quantidades de informação.

Alargando os impactos destas inovações disruptivas para a esfera global da sociedade, obtemos o paradigma 4.0, constituído pelo conjunto de conceitos e pressupostos que definem e permitem analisar as alterações na sociedade atual, em todas as suas dimensões; como por exemplo o surgimento das redes sociais, novos modelos de negócio e novas formas de trabalho.

É relevante compreender este paradigma, uma vez que os cientistas sociais que analisam longas series de tempo, quer económicas, quer de história, referem que os paradigmas tecnológicos duram cerca de 70 anos. Como esta revolução se iniciou em 1971 (surgimento do PC), teoricamente estender-se-á até 2041, temos, portanto, ainda cerca de 25 anos de vigência deste paradigma da informação e telecomunicações.

Assim, o desenvolvimento de cenários prospetivos deve ser enquadrado nesta realidade.

No Contexto deste artigo definimos Recursos Humanos como a gestão das pessoas, numa lógica não operacional, que engloba desde a sua a seleção e integração, ao desenvolvimento das condições organizacionais e de liderança que permitam um compromisso e inerente desempenho capaz de gerar valor acrescentado que contribua para o cumprimento dos objetivos da organização onde estão inseridos; assim como para a prossecução dos seus objetivos pessoais.

 

Impactos do Paradigma 4.0 na Gestão de Recursos Humanos

Este desenvolvimento tecnológico dos sistemas de informação e das telecomunicações estão a criar novas tecnologias derivadas das anteriores, como a inteligência artificial, a internet das coisas, a nanotecnologia e a biotecnologia.

paradigma-4.0-rh

Figura 1 – Novas Tecnologias derivadas das anteriores

Facilmente se compreende que criando máquinas mais inteligentes e que até podem aprender sozinhas, a relação homem-máquina mudará significativamente.

A máquina ganhará mais protagonismo e o homem terá de ser mais tecnológico para interatuar e controlar máquinas que são mais inteligentes e tecnologicamente mais avançadas

A maquina tenderá a desenvolver todas as tarefas mecânicas e repetitivas; no limite, terminando com a existência do que hoje designamos por trabalho indiferenciado.

O português Pedro Domingos no seu Livro A Revolução do Algoritmo Mestre prevê que a inteligência artificial permita desenvolver máquinas que possam desempenhar atividades cujo desempenho e performance dependam de observação sistemática traduzível para linguagem matemática. Nestas atividades, a máquina rapidamente terá melhor desempenho que o homem, uma vez consegue tratar quantidades massivas de informação (Big Data), num tempo e resultado que ao homem, não é física nem biologicamente possível. Assim as atividades de comparação de dados para a tomada de melhores decisões, a própria tomada deste tipo de decisões e as previsões, serão atividades dominadas pelas máquinas.

O que não se prevê é que a máquina substitua o que são as atividades sociais e profissionais onde exista uma significativa e relevante incorporação das emoções; característica única do homem.

Esta realidade está a gerar novos modelos de negócio e novas profissões impossíveis de prever, pois o paradigma 4.0 gerou um mundo VICA onde a prospetiva se torna difícil.

paradigma-4.0-rh

Figura 2 – Definição de mundo VICA

Perante este contexto pode-se afirmar que a gestão de recursos humanos terá de recrutar e gerir mais flexibilidade, dinâmica e mudança constante e, por consequência, uma aprendizagem frequente.

Este “Novo Mundo” também originou uma diferença geracional muito significativa e, como os Millennials serão os trabalhadores de amanhã, senão de hoje, importa compreender como vêm eles o trabalho inserido na globalidade da sua vida.

De facto as novas gerações têm uma nova forma de encarar o trabalho. O percurso é muito importante e o trabalho é encarado como uma experiência.

Segundo a Gallup, experiência positiva no trabalho, são empregos que se ajustem ao estilo de vida (que hoje como sabemos é intenso e dinâmico) dos colaboradores, lhes proporcionem oportunidades de crescimento e os ligue (contribuindo com o seu trabalho) a uma ideia com grande significado e propósito.

Uma Grande Ideia que una e motive as pessoas, não é um conceito novo, aliás remonta ás origens do homem como refere Yuval Noah Harari no seu livro Sapiens.  A capacidade comunicar ideias, para além da realidade física, distingue o homem dos outros animais e, ao longo da história, tem sido em torno de ideias que o homem construiu, países, religiões e todas as organizações.

Hoje não basta uma ideia, é necessária uma grande ideia, que é o mesmo que dizer que tenha um relevante contributo para a sociedade e não apenas para os acionistas, pois nestas gerações, a contribuição e a partilha são muito relevantes. A carreira será um cumulado de experiências, um caminho que contribua significativamente para o significado da vida.

 

A gestão de recursos humanos necessita assim de contribuir para a construção de organizações que tenham um propósito relevante para a sociedade e de desenvolver uma cultura organizacional conforme. 

Esta realidade implicará, não só novas formas de organização, cooperação interna e de liderança, como também de relacionamento das organizações com os mercados e a sociedade em geral.

Nesta nova fase das organizações tem sido geradas diferentes conceções da mesma. Surge o conceito que responde a modos de funcionamento ágeis: as Agile Organizations como referem a BCG  e a Mckinsey. Surge também o conceito de uma organização mais interligada com a sociedade: A Deloitte designa-a como a Empresa Social.

A organização ágil responde ao mundo VICA e a empresa social ao contributo para a sociedade e às novas formas de encarar o trabalho; na verdade, ambas as valências são necessárias e constituem um desafio organizacional e pessoal.

Para cumprir estes novos desígnios organizacionais é necessário ter a coragem de pensar sem dogmas e repensar todo o modelo de negócio, ainda que conduza à disrupção. Contudo a sua implementação pode ter os riscos controlados.

Outra consequência organizacional é a de criar uma cultura de Learning Organization, isto é, uma cultura que incentive, dinamize e proporcione a vontade de aprender. Esta é a forma de se adaptar ao mundo VICA e de gerar confiança nos colaboradores, pois face à incerteza, a aprendizagem é o caminho que a resolverá dando a compreensão e os skills para a enfrentar.

Este novo modelo de negócio incorporará seguramente automação, tecnologias de gestão, relacionamento colaborativo e a criação de equipas multidisciplinares. Tudo isto com o objetivo de cumprir o propósito da empresa e de proporcionar satisfação a todos os stakeholders.

Uma organização assim gera novas formas de viver o trabalho a que designo de “Trabalho Agile 4.0” onde o espirito colaborativo, a cocriação, as relações de paridade por oposição à hierárquicas vão ser uma constante; assim como a mobilidade e o teletrabalho.

Como refere a Gallup, os colaboradores esperam um ambiente organizacional onde exista velocidade e eficiência, autonomia e confiança, liberdade para experimentar e tolerância ao erro, assim como uma comunicação fluida em todas as direções.

Em síntese apresenta-se um mapa mental com as principais conclusões sobre os impactos do paradigma 4.0 nos Recursos Humanos.

paradigma-4.0-rh

Figura 3 – Impactos do Paradigma 4.0 nos Recursos Humanos

Impactos Específicos

A gestão de recursos humanos neste tempo de mudança pode simplificar-se como a procura de um equilibro entre contratação de competências (emocionais e técnicas), compromisso e envolvimento das pessoas que as possuem em torno do projeto (propósito da empresa) e condições organizacionais (cultura, liderança, ambiente social e recompensas) que permitam a execução rápida, excelente e diferenciada.  

paradigma-4.0-rh

Figura 4 – Variáveis de Gestão de Recursos Humanos no Paradigma 4.0

Avaliaremos agora os impactos específicos do paradigma 4.0 em algumas áreas especificas.

Recrutamento

Ao nível do recrutamento para além do tradicional perfil emocional, social e técnico, que terá competências ajustadas às realidades acima descritas, surgem impactos na utilização de novas ferramentas e formas de recrutamento, assim como dificuldades acrescidas devido às tendências que muitos talentos apresentam para não querem vínculos  nem compromissos, preferem os GIG Jobs[1].

Estas pessoas de elevado valor e talento habituaram-se a viver com a insegurança de não ter um emprego fixo e saborearam o gosto da liberdade e independência que não mais querem largar; conseguindo mesmo, em muitos casos, vidas melhores que os seus pares quadros de empresas, como recentemente refere um artigo de Harvard. Sem um propósito muito relevante, as empresas deixaram de ser “sexy”.

O mesmo artigo refere que existem 4 realidades no mundo corporativo das quais as pessoas se querem desconectar: (1) um local fixo de trabalho num escritório corporativo, (2) rotinas burocráticas e improdutivas, (3) a falta de um propósito que crie uma ligação entre a vida profissional e os significados e valores da vida pessoal e, por fim, (4) o ambiente social corporativo complexo e hierárquico que pode tornar-se fonte de ansiedade e de improdutividade.

Esta realidade é importante não só na área de recrutamento, mas também quando pensamos no desenho e cultura de uma organização.

No que respeita à utilização de novas ferramentas temos a intensificação da utilização do linked in enquanto fonte de recrutamento e de informação sobre os candidatos, assim como as restantes redes sociais.

O recurso a algoritmos e inteligência artificial para a pré-seleção é já uma realidade que permite alargar significativamente a base de recrutamento, perdendo-se, no entanto, segundo alguns especialistas, a avaliação emocional de uma entrevista.

Encontrar pessoas com um perfil ajustado e uma atitude flexível, disponíveis para aceitar a mudança, que veja nela um desafio e que tenha uma vontade permanente de aprender e empreender e que se comprometa com a estratégia/propósito organizacional é o desafio genérico do recrutamento.

 

Liderança

Se os liderados, assim como o propósito da organização e o seu ambiente interno mudam; então é obvio que o líder também tem de mudar.

O primeiro grande desafio da liderança é a compatibilização do paradigma anterior com o atual paradigma 4.0, uma vez que a rutura deve, sempre que possível, ser evitada através de uma transformação evolutiva que permita impactos sociais e financeiros positivos.

O líder é ainda responsável por comunicar “a grande ideia” sobre o propósito e futuro da organização. Deve fazê-lo de uma forma credível e motivadora que permita que cada se motive e comprometa com a organização e que, desejavelmente se exceda na entrega de valor.

A criação e desenvolvimento da cultura empresarial é também, como sabemos uma das responsabilidades de topo. Por consequência a criação de uma cultura de aprendizagem e a dinâmica de uma empresa ágil devem assumidas e coordenadas por todos os níveis de liderança.

Os desafios referidos implicam atualização ao nível dos skills de comunicação, quer pela novidade de alguns meios, quer pela criatividade e autenticidade em torno da história a contar (storytelling).

A forma de comunicar, o suporte e o desenvolvimento de atividades que ajudam a vencer obstáculos e a eliminar dificuldades, é outra das responsabilidade da liderança. Neste particular a mudança é para uma atitude de coaching, por oposição a uma atitude dirigista.

Esta mudança de estilo de liderança, em que o chefe não diz o que fazer nem apresenta um caminho fechado, antes constrói com a sua reconhecida experiência, uma visão e um caminho que pode ser enriquecido pelos outros, é um dos elementos cruciais para vencer e ser sustentável neste novo paradigma.

Aplicando metodologias de coaching, o líder coloca mais questões e ajuda a gerar opções que fazem refletir e desenvolver as pessoas e a organização, permitindo que o percurso seja em consonância com as expectativas dos colaboradores em relação ao trabalho.

O líder é um entre os outros, destacar-se-á pela sua aceitação e reconhecido valor, atenuando afirmações hierárquicas e poderes coercitivos. Temos assim o mix de poderes[2] significativamente alterado; aumentando a dominância dos poderes do líder enquanto uma referência e/ou enquanto um líder que é um especialista; por contrapartida com um líder sustentado no seu poder formal e hierárquico, que pode punir um mau desempenho.

O líder vai ter de interagir mais vezes com os colaboradores, de partilhar mais, de construir mais e de aceitar mais outras ideias. Para isso necessita de novos skills e novas ferramentas de comunicação e de partilha, onde os canvas, o design thinking e o visual thinking tem um papel determinante.

Outros dos grandes desafios é criar segurança e reduzir ansiedade quando estamos na presença de uma envolvente externa tipo VICA geradora de ansiedade e inseguranças nada produtivas para os desafios organizacionais de adaptação a esse mundo em constante mudança, pois para isso importa promover a criatividade, o empreendedorismo interno e o compromisso com o propósito da empresa.

 

Formação

Uma organização em constante mudança e adaptação implica uma constante aquisição de conhecimentos por parte dos seus colaboradores, pois a mudança implica novos desafios e novas competências. A isso se chama uma learning organization.

Desde logo, a realidade do paradigma 4.0 implica um desenvolvimento de competências habitualmente designadas de soft skills relacionadas com o comportamento humano e emocional, como a capacidade de comunicação e de partilha, a competência emocional para se entender a si mesmo e aos outros; bem como a competência social para entender o meio e a sua inserção e interação no mesmo.

O mindefulness é outras das necessidades que existe; pois essa capacidade de viver o momento e abstrair-se de todas as ideias que esta complexidade atual nos carrega no cérebro, permite-nos evitar alienações e burnout.

Por outro lado, uma atitude de mindulfullness relativamente à realidade do trabalho, faz com que possamos olhar cada momento/situação/problema sem pressupostos ou preconceitos. Como se fosse um novo olhar, e assim absorver todos os detalhes do que, entretanto mudou e nós julgávamos que conhecíamos, dando por adquirido esse conhecimento.

Nas hard skills importa desenvolver a resiliência, a resistência à frustração para lidar com o insucesso e uma atitude de gosto pela aprendizagem permanente que é o mesmo que dizer que se gosta de desafios, de crescimento intelectual e de realizações (uma atitude empreendedora) e se consegue lidar com o risco.

Do ponto de vista técnico, dada uma certa perenidade nos conhecimentos, face à já referida velocidade, existem constantemente novas necessidades de aprendizagem; por exemplo as novas ferramentas digitais de trabalho colaborativo ou a presença profissional nas redes sociais.

Esta necessidade de formação permanente, não é possível ser ministrada, na sua totalidade, pelas organizações. O que necessitamos é de motivar e transformar as pessoas para que se desenvolvam também em autoformação ao nível de ter a capacidade de mudar de profissão.

As metodologias, face aos desafios já referidos, estão a desenvolver-se na área visual e colaborativa, quer através do Design Thinking, quer do Visual Design. Estas metodologias potenciam a criatividade, a colaboração e, por serem mais intuitivas permitem a participação de colaboradores com um largo leque de competências: do empírico ao cientifico.

O recurso ao elearning a moocs, chatbots e tutoriais vai também ser uma constante.

Competências tecnológicas de código vão ser cada vez mais necessárias dada a cada vez maior intervenção da máquina. Deixamos de necessitar de saber fazer, para “fazer a máquina fazer” e controlar o seu desempenho.

[1] Termo que atualmente carateriza o trabalho independente ou de freelance.

[2] O mix de poderes que permitem a execução da liderança são: hierárquico formal, coercitivo, recompensa, de referência e de especialista. O mix de exercício do poder está relacionado com o estilo pessoal de liderança e com o contexto onde esta é exercida.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

O Paradigma 4.0 e a Longevidade das Marcas

O Paradigma 4.0 e a Longevidade das Marcas

O que designo por Paradigma 4.0 deriva da revolução industrial 4.0, originada pela conjugação das tecnologias dos sistemas de informação e pelo desenvolvimento das telecomunicações, e é composto pelo conjunto de conceitos e pressupostos que definem e permitem analisar os impactos destas tecnologias na sociedade atual.

paradigma-4.0-longevidade-marcas

O que este paradigma trás à sociedade é um aumento da velocidade de praticamente tudo o que utilize, ou possa vir a utilizar, telecomunicações e grandes quantidades de informação. Marcas e suas atividades são obviamente um desses casos.

Esta velocidade tem tido o efeito positivo de acelerar de forma exponencial o crescimento das marcas recentemente criadas, que em muito curto espaço de tempo atingem a escala global, quer do ponto de vista da notoriedade, quer da sua utilização e valores associados. São disso exemplo o Facebook, o Twitter e a Uber.

Este aumento de velocidade tem também acelerado a renovação de modelos de negócio, que é o mesmo que dizer que coloca em crise, ou encurta, o tempo em que são viáveis. Estando as marcas também relacionadas com os modelos de negócio que as suportam; pode-se assim afirmar que a sua longevidade é também afetada pelo paradigma 4.0.

Como exemplo desta relação entre a longevidade das marcas e o paradigma atual, apresenta-se a Kodak e a Blackberry, que viram o seu valor ser significativamente destruído. No registo contrário, a Apple, por via da inovação e da alteração do modelo de negócio, viu o seu valor muito alavancado. Como exemplo de estabilidade refere-se a IBM que, por via da diversificação e da alteração de foco, praticamente manteve o seu valor nos últimos 17 anos, segundo a Interbrand.

Assim penso que os desafios de construção de marca passam hoje quer pela efetivação de oportunidades de crescimentos rápidos, quer também pela criação de uma marca com valores e associações amplas que permitam flexibilidade de gama e de categorias de produto, sempre que a sua natureza o permita.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

Na ressaca da Web Summit

Na Ressaca da Web Summit

ressca-web-summit

A Web Summit começou por ser um evento praticamente consensual em Portugal, isto é, todos viam efeitos positivos, para, neste ultimo ano, e após o anúncio do acordo para mais 10 anos em Lisboa com contrapartidas financeiras significativas, gerar polémica e deixar de obter esse consenso.

Finda esta primeira realização após o estabelecimento do acordo de longo prazo, penso que é o momento de balanços e opiniões que possam melhorar e engrandecer a cimeira, Lisboa e Portugal.

Comecemos por definir o que hoje é a Web Summit. No seu site verifica-se que a comunicação se enfoca primeiramente nos keynote speakers, seguindo-se depois uns ícones que referenciam os benefícios mais importantes que se podem extrair do evento: networking, aprendizagem e exposição aos media.

Analisar os benefícios do evento, implica compreender primeiro quem são os beneficiários dos mesmos. Listaria: donos de startups, investidores, grandes empresas, estudantes, professores e ecossistema de empreendedorismo e inovação; destacando o Lisboa e de Portugal.

Se os benefícios de networking me parecem inquestionáveis para qualquer dos públicos já a aprendizagem, principalmente por via das palestras, me parece um ponto a melhorar.

Quantidade nem sempre, ou quase nunca, quer dizer qualidade e é o que me parece acontecer. Existem muitos oradores, muitos temas, mas muito pouco tempo para falar de cada um deles. Em média, cada orador ou grupos de 2/3 oradores e um mediador, dispõe de cerca de 20 minutos para apresentar e discutir as suas ideias.

Senti que, em muito casos, esta componente da aprendizagem por via de ouvir especialistas (porque também se aprende no networking) não acontece porque os temas são se aprofundam o suficiente para trazer algo de novo.

Penso que é um dos pontos a melhorar. Habitualmente nos congressos e conferencias com vários oradores o tempo habitual para cada um é de 40 minutos. Sou mais adepto deste menos e melhor.

Também me parece que dada a extensão da exposição, o tempo de percurso entre palcos é demorado o que implica perder muito tempo nestes. Talvez uma concentração das áreas de oradores fosse mais produtiva assim como uma gestão da agenda que compatibilizasse a possibilidade de ouvir oradores interessantes em diferentes palcos. Por exemplo, a App poderia, para além permitir selecionar os oradores do meu interessente, mostrar as incompatibilidades de horários e apoiar-me na decisão de escolha.

Quanto à exposição aos media, ela é indiscutível e muito benéfica para todos, mas em particular para Portugal e para o ecossistema de inovação e empreendedorismo de Lisboa.

Acrescentaria ainda que para a cultura e valores portugueses, outrora muito empreendedores (fizemos os descobrimentos), mas devido à ditadura e a um estado paternalista, hoje a necessitar de muita dinamização; este evento ajuda a criar a consciência nacional de que somos tão capazes quanto os outros e aumenta a vontade de participar.

Sou daqueles que considera a presença da Web Summit em Lisboa uma decisão muito acertada, apesar dos custos. Penso, no entanto, que existem aspetos a melhorar, como aqueles que referi assim como; face a este compromisso de longo prazo, a necessidade de existir um plano que vá melhorando e diferenciando o evento por forma a torna-lo sempre atrativo e diferenciador.

Certamente alguém na organização está a pensar nisto, fica, no entanto, a partilha das minhas reflexões.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

Confiança: o Valor Primordial

Confiança: o Valor Primordial

confianca-valor-primordial

Quando se fala de desenvolvimento de marca, está-se conscientes da necessidade de percorrer o Brand Funnel. Independentemente dos formatos e etapas que este possa ter, também se sabe que a primeira etapa é ter conhecimento da marca e da sua proposta de valor e, só quando estamos na fase de lealdade e de advocacy, é que se pode começar a associar valores à marca.

Contudo quando estamos nesses estágios onde o objetivo é aumentar o valor da marca através de associações, a marca já tem valores associados, nomeadamente o da confiança.

A confiança é um valor primordial porque sem esta não existe relação. Ninguém se relaciona com uma entidade em quem não tenha confiança, a menos que seja obrigado ou não tenha alternativa.

Para construir confiança é necessário trabalhar as atitudes de quem dá vida à marca, assim como o conteúdo e a forma de comunicar a sua proposta de valor, por forma a intuir nos stakeholders: credibilidade, consistência e coerência.

Não vale a pena pensar ou sonhar em criar marcas fortes, se não assegurarmos e garantirmos ao longo do tempo, este valor primordial. Este desafio tem uma extensão muito grande, pois tem de englobar toda a cadeia de valor que vai da produção à entrega do produto ou serviço, englobando por isso ações de marketing interno e externo; e tem mais relevância nos serviços por que não se vêm, não se tocam e são normalmente produzidos no momento em que são consumidos.

Como poderá um hospital, uma companhia de seguros ou um banco, crescer se não transmitir confiança aos seus clientes? A quebra da confiança pode ter efeitos avassaladores numa marca e num negócio; atente-se à volatilidade das marcas nos nossos dias e acompanhe-se as mais recentes interrogações da Unilever no que respeita à confiabilidade e verdade dos media digitais.

Neste mundo que nos dispersa e aliena, não percamos o foco no essencial.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

A Ratoeira da Perfeição Humana

A Ratoeira da Perfeição Humana

A busca da perfeição através do desenvolvimento pessoal, da cultura e das ciências (naturais e humanas) é um dos motores, senão o motor da Humanidade.

ratoeira-perfeicao-humana

Foi esse desenvolvimento que nos trouxe até aqui.

O desenvolvimento é um caminho e como tal, tem as suas encruzilhadas, onde é necessário decidir para onde se vai, ou de outra forma, para onde se não quer ir.

A tomada de decisão desse caminho é fundada nos valores construídos no passado, mas também no desejo de chegar a um futuro melhor. São estes elementos que permitem, ou deveriam permitir, a eliminação de caminhos que apresentam mais aspetos negativos que positivos.

As encruzilhadas são mais frequentes e com decisões mais difíceis em momentos onde estão presentes ou eminentes as ruturas com o passado (mudanças de paradigma). Vivemos atualmente um desses momentos proporcionado pelas tecnologias digitais de comunicação e processamento de dados.

É a conjugação desta tecnologia com a busca da perfeição que, em minha opinião, constitui uma ratoeira, uma vez que em algumas das encruzilhadas os caminhos parecem apresentar mais benefícios que aspetos negativos, mas pode não ser realmente assim.

Alguns exemplos destas encruzilhadas, sãos os desenvolvimentos da inteligência artificial e as tecnologias de implante cerebral para captação e utilização dos impulsos cerebrais.

A nossa busca pela perfeição e por um mundo melhor periga em muito a autonomia e o arbítrio do ser humano, tendendo a padronizar em torno da perfeição e não tolerando os “bugs” humanos. É no entanto da diversidade e liberdade que surge a criatividade e certo tipo de inovação; para além de constituir um elemento essencial à satisfação de viver.

É certo que existe sempre o dia de amanhã, onde se pode corrigir a decisão tomada hoje, mas com a velocidade de propagação e execução que hoje possuímos, certas decisões podem ser irreversíveis ou com grandes custos para a Humanidade.

De modo algum advogo a proibição destes caminhos de investigação e desenvolvimento; apenas alerto para que os mesmos devem ser percorridos com muita consciência e lucidez.

Para uma compreensão mais detalhada destes riscos recomendo que se veja a 2ª temporada da serie Black Mirror, uma serie prospetiva de inigualável utilidade para a compreensão destes fenómenos.

Votos de um excelente 2018.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

A Marca Portugal e o seu Desenvolvimento

A marca Portugal e o seu Desenvolvimento

A marca Portugal está na moda, o que significa que existe uma atitude positiva e uma apetência perante a mesma; não só no turismo, como no futebol, mas também na política e na economia. A prová-lo estão os dados do turismo e das exportações, o reconhecimento pelo trabalho de saída da crise e o valor dos nossos treinadores e jogadores.

 

marca-portugal-desenvolvimento

A marca Portugal está na moda, o que significa que existe uma atitude positiva e uma apetência perante a mesma – não só no turismo, como no futebol, mas também na politica e na economia. A prova-lo estão os dados do turismo e das exportações, o reconhecimento pelo trabalho de saída da crise e o valor dos nossos treinadores e jogadores.
É em momentos com conjunturas destas que a oportunidade de alavancar marca, melhorando o seu valor enquanto ativo de longo prazo, se torna crucial de efetivar.

Temos que nos preparar para este próximo passo, e o processo começa cá dentro; isto é, como numa organização empresarial, necessitamos de desenvolver cultura e uma missão comum, que alinhe os portugueses e seja atrativa para quem connosco se relaciona (stakeholders).

E como se desenvolve uma marca começando pelo seu “marketing interno”?

Centremo-nos na definição de marca. Esta é, no fim de contas, o resultado da perceção que os stakeholders têm das atividades desenvolvidas pelos agentes da marca (aqueles cuja a sua atividade tem reflexos nas perceções da marca, neste caso, os portugueses e todos os stakeholders que, interagindo connosco, formulam e emitem uma opinião sobre Portugal).

É esta dimensão interna da marca que impacta a perceção da sua qualidade. Os portugueses e o que fazem coletivamente são primordiais para o resultado final.

O historiador Yuval Noah Harari no seu livro “Sapiens” afirma que uma das características mais distintivas e responsável pelo desenvolvimento e feitos da espécie humana é a sua capacidade de pensar e comunicar sobre realidades fisicamente inexistentes, isto é, imaginárias.

O Cientista afirma ainda que as comunidades, organizações e outras formas de cooperação que envolvam um elevado número de humanos se deve a essa capacidade que permite construir e comunicar um imaginário comum.

Esse imaginário comum é o ADN da marca Portugal. E como podemos então definir esta marca? Como vivemos, repetimos e comunicamos entre nós esse imaginário que é ser português?

A nós, Portugueses, falta-nos este ponto precisamente. Se nos compararmos com outros países, alguns com menos história e mais recentes que nós, verificamos que, praticamente, não fazemos o culto e comunicação do nosso imaginário coletivo, o que nos debilita enquanto grupo de humanos capazes de realizar e empreender e, por consequência a perceção que têm de nós.

Pelas razões explicadas, é comum ouvirmos a afirmação que “os portugueses têm baixa autoestima”. Além do futebol, Portugal não se galvaniza para praticamente nada. Necessitamos de eventos que nos unam e nos façam viver, regularmente, o nosso ADN coletivo.

Uma parte dessa vivência coletiva é efetuada através da cultura. Os Portugueses precisam de se focar na esfera mais criativa da nossa cultura e criar, por exemplo, mais cinema – facilmente exportável e com um grande reach, necessário para comunicar a marca Portugal. Quantas series e filmes portugueses há no Netflix, em comparação a produções nacionais de países como a Espanha e o Reino Unido?

A promoção da marca Portugal não se faz só com a tradicional comunicação de marketing e com a diplomacia, é necessário que no seu seio exista atividade grupal que permita compreender a robustez, coerência e diferenciação do que somos, permitindo assim o desenvolvimento de um Portugal maior e melhor para os portugueses e para aqueles com quem interagimos.

Uma Boa Rentrée

  • Escrito e publicado em 2018

A Inteligência Artificial e o Marketing

A Inteligência Artificial e o Marketing

A Inteligência Artificial (IA) é um dos axiomas em que se desenvolve o paradigma da 4ª Revolução Industrial, sobre a qual escrevi recentemente.

inteligencia-artificial-marketing

Se as comunicações e o tratamento massivo de informação já são um facto consumado; hoje o drive é a IA e o impacto que a mesma vai ter nos comportamentos dos clientes e consumidores, e por consequência na modelização de negócios.

Pode definir-se IA como o ramo das ciências informáticas que desenvolve “máquinas inteligentes”, isto é, máquinas que são capazes reagir e operar de forma similar aos seres humanos. A grande diferença para as máquinas da geração anterior é que estas sabem aprender e “pensar”.

Face à definição e à existência de realidades como os carros autónomos ou a precisão da sugestão de compra de sites como a Amazon, a Netflix ou o Spotify; não é difícil de prever a entrada massiva destas máquinas em áreas da atividade humana onde exista necessidade de tratar massivas quantidades de informação para suporte à previsão ou à tomada de decisão, superando a performance do Homem.

Em breve teremos um intenso recurso a este tipo de apoio para a tomada das decisões de compra; digamos que é levar os sites que fazem comparações em produtos e serviços ao limite, avançando com uma sugestão de compra racionalmente imbatível.

Com a IA a suportar decisões de compra estamos perto do modelo económico da racionalidade económica em que o consumidor decide com total informação do mercado; permitindo-lhe uma decisão racionalmente mais ajustada.

Nesta realidade qual será o papel das Vendas e do Marketing?

O papel das Vendas e do Marketing manter-se-á com as responsabilidades atuais de influenciar e executar as transações comerciais, a par com uma construção de marca e de relações que permita a fidelização e a criação de valor. O que na realidade mudará serão as atividades que permitem o cumprimento destas responsabilidades.

Nas Vendas, a comparação passará a ser a regra. As forças de vendas terão de operar, no mínimo, algoritmos tão bons como os dos seus clientes. Tenderemos para relacionamentos despersonalizados, para uma maior autonomia de quem compra e para um processo cada vez mais digital.

Esta mudança de comportamento colocará ao Marketing desafios maiores na criação de relacionamentos e laços emocionais entre clientes e marcas, uma vez que apesar da alteração, o homem não se tornará máquina, por isso manterá na sua vida e na compra uma componente emocional que será associada ao resultado do algoritmo de suporte á decisão.

Continuemos a aprender, a viver e a adaptar negócios e comportamentos a este Admirável Mundo Novo que a informática nos trouxe.

  • Artigo escrito e publicado em 2018