O Novo Jornalismo, uma Oportunidade para os Media

O novo Jornalismo: uma Oportunidade para os Media

Os fluxos de informação na esfera publica sempre me interessaram, quer porque permitem um melhor conhecimento da envolvente onde os negócios se desenvolvem, quer porque permitem uma maior participação cívica.

O Novo Jornalismo, uma Oportunidade para os Media

As ultimas eleições espanholas e as eleições europeias suscitaram-me a seguinte reflexão: “As ultimas tendências no jornalismo demonstram a oportunidade de inovar na abordagem e nos conteúdos veiculados na esfera publica”.

As oportunidades de prestações de serviços como o jornalismo, devem fundar-se sempre em necessidades claras dos clientes. Hoje qualquer cidadão tem uma necessidade enorme de destrinçar qual a informação verosímil ou verdadeira, para suportar as suas decisões, opiniões e juízos de valor.

Acontece que com o crescente crescimento das “fake news” e de retóricas politicas centradas na mistificação de factos, na demagogia e na falsidade; o cidadão tem cada vez mais dificuldade em identificar essa preciosa informação.

Esta dificuldade multiplica-se quando os meios de comunicação fazem apenas uma amplificação das retóricas politicas, dando-lhes tempos de antena, sem analisar criticamente os conteúdos comunicados pelos agentes políticos.

Esta atitude amplificadora tem sido a regra na nossa comunicação social.

Já não nos serve apenas critérios democráticos de distribuição de voice share. Necessitamos de curadoria e validação de mensagens, como processo de filtração da falsidade e enviesamento da verdade.

A criação do Poligrafo SIC, do site You Check, bem como do artigo los nuevos periodistas , são exemplos  da mudança e dos desafios que este Paradigma 4.0 apresenta aos jornalistas.

A inovação de abordagem e conteúdos de que falo, é a de, através dos recursos tecnológicos existentes e da inteligência artificial, os jornalistas poderem desmontar afirmações falsas e enviesadas, confrontando os políticos/emissores com as mesmas, tão rápido quanto possível.

Esta inovação devolveria ao jornalista e a especialistas a análise e o comentário politico centrado na validação e/ou negação das mensagens proferidas; evitando assim que a análise politica se centre em avaliar qual o politico que vence, por exemplo, debates, legitimando vitórias, ainda que sustentadas em falsidades e/ou demagogia, só porque a performance comunicacional do politico A, foi melhor a do B. A comunicação é importante, mas o conteúdo é muito mais, nesta era da informação.

No fundo é pegar o Poligrafo SIC e generalizá-lo (não basta uma vez por semana, necessitamos que seja permanente), tornando-o numa atitude e/ou abordagem, que deve ter o “juízo” do jornalista, e não dar espaço aos políticos para validarem as suas próprias mensagens ou descredibilizarem as dos seus adversários.

Imagine-se um debate eleitoral onde minutos depois de uma afirmação efetuada por um politico, ainda com o debate a decorrer, passa numa frase de rodapé o veredicto do poligrafo sobre a veracidade da mesma. Seria de uma utilidade sem preço para a sociedade.

Penso que este serviço será altamente valorizado pelos cidadãos e obrigará os políticos a mudarem o seu paradigma de comunicação, sob pena de se descredibilizarem ou caírem no ridículo. Também eles precisam de efetuar a disrupção que este paradigma 4.0 implica. Talvez seja dos jornalistas a responsabilidade e oportunidade para a provocarem, ou não fossem estes, “O Quarto Poder”.

Anseio por estar recentragem da profissão do jornalismo naquela que é a sua missão mais nobre, zelar pela verdade e pela informação da esfera publica, não só na politica, mas em todas as dimensões da sociedade. Nela reside a esperança por um Mundo melhor.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Transação vs. Criação de Valor

Transição vs. Criação

Simplificando e agregando, poderemos afirmar que o marketing tem essencialmente 2 funções: apoiar e facilitar a venda (transação) e criar valor de marca através da comunicação dos seus elementos diferenciadores e relevantes.

transacao-criacao-valorAcredito que são as duas faces de uma mesma moeda, isto é, uma não poderá viver sem a outra, uma vez que o valor acrescentado por uma transação depende do valor da marca e, sem vendas, não existem recursos para criar valor de marca; para além de que as atividades de vendas e de marketing não têm, muitas vezes, uma linha bem definida e dependem do negócio e da organização.

Esta realidade sempre foi assim; a gradação de importância e os recursos afetos (mix) é que tem vindo a ser alterada, principalmente no paradigma digital.

Atualmente as atividades de marketing, quando efetuadas pelos canais digitais tem uma maior possibilidade de segmentação e de serem medidas e avaliadas de modo quantitativo, realidade que anteriormente apenas acontecia com atividades promocionais relacionadas com as vendas.

Esta evolução é positiva, e cria por um lado mais responsabilidade de resultados para os marketeers, mas por outro, mais legitimidade para utilizar recursos.

O tema sensível é uma certa tendência para passar a utilizar metodologias de avaliação que buscam uma relação direta entre investimento de criação de marca e resultados de vendas de curto prazo, ou também de uma análise de investimentos pura e dura para os investimentos de marca. Sabemos que não pode ser assim, uma vez que o nº de variáveis e a variabilidade não são compatíveis com estas tipologias de análise.

É certo que as decisões de gestão são mais acertadas e com menor risco de erro, se pudermos ter o conforto de números e análises de suporte, mas nem sempre isso é possível.

O conforto de uma decisão fundamentada quantitativamente e a pressão por resultados podem levar a que o investimento em marketing, mesmo no digital, se foque apenas na geração de transações e reduza significativamente o investimento em criação de marca, para valores marginais.

Evitar isso é um desafio que que assiste aos marketeers, nesta era digital e pragmática.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Omnichannel e o Comportamento do Consumidor

Omnichannel e o Comportamento do Consumidor

A 4ª revolução industrial originada pela conjugação da invenção do computador pessoal (PC), dos sistemas de informação e do desenvolvimento das telecomunicações, cria um novo paradigma socioeconómico que designo por paradigma 4.0.

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É relevante compreender este paradigma, uma vez que os cientistas sociais que analisam longas series de tempo, quer económicas, quer de história, referem que os paradigmas tecnológicos duram cerca de 70 anos. Como esta revolução se iniciou em 1971 (surgimento do PC), teoricamente estender-se-á até 2041, temos, portanto, ainda cerca de 25 anos de vigência deste paradigma da informação e das telecomunicações.

Esta realidade tecnológica proporcionou a capacidade para o tratamento e difusão de massivas quantidades de informação que permitiu/originou o desenvolvimento do conceito e da realidade omnichannel no retalho, o paradigma que muito provavelmente perdurará até metade deste século.

Evidentemente que esta realidade está intimamente ligada com as alterações de comportamento do consumidor, também elas originadas pelo referido paradigma tecnológico, ao nível do processo e experiência de compra.

A função do retalho é a de disponibilizar produtos e serviços, em preço, tempo, quantidade, qualidade e local, que permitam aos vários segmentos de consumidores, a satisfação das suas necessidades, proporcionando uma agradável e, de preferência, surpreendente experiencia de compra. Sintetizemos a função em satisfazer as necessidades e proporcionar uma boa experiência.

Para cumprir a missão é necessário entender o consumidor e, por consequência torna-se relevante conhecer o que mudou nos últimos tempos:

  • O cliente encontra-se em paridade de informação, isto é, tem acesso e conhece a proposta de valor, tão bem quanto o vendedor. Pode ainda aceder a ofertas concorrentes a nível mundial e compará-las entre si.
  • Dada a dinâmica social (múltiplas solicitações e falta de tempo), o cliente espera ter acesso a informação e possibilidade de compra, em todos os canais disponíveis e com preços iguais ou muito semelhantes.
  • Facilidades de entrega, quer de local quer de horário.
  • Experiência de valor acrescentado, principalmente no canal físico; isto é, a na loja.
  • Serviços de pós-venda tão eficientes quanto os de venda; por exemplo ao nível de devoluções e de reparações.
  • Imprevisibilidade de acesso aos vários canais, isto é, um comportamento de compra que não segue um padrão (ex: hoje compro online, amanhã na loja)

O omnichannel é o modelo operacional e de relacionamento com o cliente que permite ao retalhista vencer os desafios que se colocam face a um cliente em constante mudança. Para o efeito o retalhista deve possuir tecnologia, sistemas de informação, parcerias (ex.: logística e Marketplace) e competências humanas que lhe permitam gerir de forma integrada e com igual qualidade todos os canais possíveis de relacionamento com o cliente (ex: loja, site, telefone, Marketplace).

Esta área de conhecimento começa já a ser suficientemente especifica, autónoma e complexa para justificar um evento e um fórum que permita aos profissionais a partilha de conhecimento e de desafios.

Pelo exposto, é muito bem vindo o Omnichannel Retail Show.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

O Fim do Futuro e a Nova Economia

O Fim do Futuro e a Nova Economia

Os comportamentos de consumo mudaram, não apenas porque a dureza da ultima crise induziu comportamentos mais cautelosos, mas também porque deixámos de acreditar no futuro.

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Não quero com isto dizer que, de um momento para o outro, ficámos todos pessimistas; apenas que deixámos de conseguir projetar com algum grau de conforto, o que pode acontecer no futuro; facto que reforça ainda mais um comportamento cauteloso ou até conservador relativamente ao consumo.

Vários factos contribuem para esta minha opinião, o mais relevante é a edição de 12 a 18 de outubro da Revista Economist onde se analisa o nova normalidade da economia.

Nessa edição refere-se que a correlação entre inflação e emprego já não se verifica e que, por consequência, as regras de análise e projeção económica também atravessam o seu processo de reconstrução à luz do que chamo o Paradigma 4.0; ou seja as leis e regras da economia, agora dita clássica, deixaram de funcionar desde à 10 anos, é necessário reinventá-las.

Mais emprego não origina, nos dias de hoje, um aumento de consumo que faça crescer a inflação. Em minha opinião, porque o comportamento de consumo mudou. Nem mesmo com a conjugação de juros baixos, pois um empréstimo implica confiança e perceção positiva sobre o futuro, no caso de uma tomada de decisão responsável.

É esta impossibilidade de projetar o que quer que seja sobre o futuro, dado o mundo VICA/VUCA em que vivemos que altera o comportamento de consumidores, organizações e entidades politicas e origina, por exemplo, níveis de poupança incrivelmente altos como o alemão e um crescimento anémico apesar de politicas como o quantitative easing.

Como reflexão, penso que a dinamização e o crescimento da economia não se farão mais segundo as regras anteriores porque o risco e a incerteza sobre o futuro aumentaram drasticamente. Assim apenas medidas que impliquem um risco baixo poderão dinamizar consumo e investimento.

Como não podemos mudar o contexto e a consequente perceção sobre o futuro, talvez medidas claras com impacto no presente, como a redução de impostos, que origina um aumento real e imediato do poder de compra e do cash-flow , possa ser um outro caminho para a crescimento e bem estar.

Têm os economistas e os políticos um grande desafio 4.0 pela frente.

Recomendo a leitura dos artigos da referida revista.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

O Alargamento das Funções da Marca

O Alargamento das Funções da Marca

As alterações e disrupções que este novo paradigma 4.0 nos tem trazido, não poderiam deixar de afetar a marca. Em minha opinião, afetaram no sentido positivo, pois estenderam as suas funções.

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Tradicionalmente as funções de uma marca são: na ótica do consumidor, a de informar sobre a proposta de valor (benefícios tangíveis e associações) que esta contém e, na ótica da empresa, a de um ativo que permite diferenciação e relevância junto dos stakeholders e, por consequência, alavanca valor.

As redes sociais e a comunicação digital alteraram não só o mix de comunicação das marcas, mas também a forma como estas comunicam e o tipo de conteúdos que comunicam.

As mensagens continuam a ser em torno das funções que referi acima, contudo a comunicação biunívoca que confere “novos poderes” aos consumidores, origina a necessidade de passar a mensagem de uma forma muito distinta da tradicional publicidade.

Hoje aceita-se cada vez menos a comunicação em que as marcas falam sempre de si, construindo o seu universo, tornando-se sexy (pensam elas) para os stakeholders.

Esta realidade levou a estratégias de comunicação que alargaram as funções da marca. Porque a marca tem de comunicar subtilmente dentro de conteúdos (narrativas) que são relevantes para os stakeholders e para a sociedade em geral. Cria-se assim o marketing de conteúdos.

A marca passou a ter uma função educativa e social, pois esses conteúdos são frequentemente conhecimento e a marca partilha ainda os seus recursos com causas que considera importantes ajudar a resolver.

A marca deixou assim de ser apenas sexy e passou a ser mais humana, tornou-se mais profunda e complexa; isto é, a atratividade deixou de ser apenas supérflua, para passar a ter um sentido, um propósito de contribuir para um mundo melhor (muito temas contribuem para um mundo melhor: desde reduzir o plástico à arte, entre outros).

Se as marcas não atenderem a estas novas funções, “envelhecem” e podem mesmo por em risco a sua existência.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Impactos da Digitalização no Retalho

Impactos da Digitalização do Retalho

Hoje vivemos a era da Revolução 4.0 e praticamente todas as tendências de evolução futura dos negócios têm a sua origem nas tecnologias que a provocaram: os sistemas de informação e as telecomunicações.

Estas tecnologias alteraram significativamente a velocidade de mudança, e aumentaram a complexidade de todas as dimensões da Sociedade.

A relevância desta realidade prende-se com o facto de a mesma configurar um paradigma (conjunto de premissas base que determinam o desenvolvimento socioeconómico) que se estenderá até 2041. Segundo os economistas que estudam os ciclos longos da economia (Ondas de Kondratiev) este paradigma tem essa “esperança de vida”.

Assim importa compreender os seus impactos, para que possamos continuar a inovar, adaptar e modificar as realidades do retalho em conformidade com as necessidades dos clientes e do seu modo de vida.

Segundo Klaus Schwab, este paradigma a origina a emergência de tecnologias derivadas das anteriores,  sintetizadas na figura 1, que impactarão seguramente o retalho. Por exemplo, as impressoras 3D, permitirão uma personalização de produtos que até aqui não seria possível; assim como a inteligência artificial, irá originar alterações na tomada de decisões, automatizando-as e permitindo muito mais comparações.

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Figura 1

A análise destes impactos pode ser efetuada através das variáveis do retail mix: sortido de mercadoria, publicidade e promoção, layout e design de loja, atendimento e serviço ao consumidor, localização e preço.

Na figura 2, apresenta-se uma síntese dos impactos provocados no retalho. Não se trata de uma listagem exaustiva, mas sim das que considero mais significativas. Estas podem servir de inspiração, para que cada um, gere ideias dos impactos mais ajustados ao seu negócio.

 

impactos-digitalizacao-retalhoFigura 2

 

Estas consequências devem ser encaradas como oportunidades de melhoria e não como ameaças aos atuais modelos de negócio.

Esta forma de encarar a mudança e evolução dos negócios tem essencialmente que ver com a atitude com que se aborda o tema, isto é, devemos observar as alterações como desafios para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos negócios. Se tivermos uma atitude conservadora de quem deseja que nada mude, então vamos observar a mudança como uma ameaça, um incómodo que contraria o nosso desejo.

Em conclusão a maior transformação que a digitalização provoca no retalho é, mais propriamente, no retalhista que terá de encarar o negócio como uma atividade altamente dinâmica e de mudança, que vai implicar uma concentração e lucidez permanente no entendimento da sociedade em geral e dos mercados e consumidores em particular.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Disrupção na Televisão – A Fase de Consolidação

Disrupção na Televisão - A Fase de Consolidação

A disrupção que atualmente se vem a produzir nos negócios, deve-se ao que venho chamando de paradigma 4.0, ou seja, às alterações socioeconómicas provocadas pela conjugação da tecnologia digital e das telecomunicações.

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A disrupção que atualmente se vem a produzir nos negócios, deve-se ao que venho chamando de paradigma 4.0, ou seja, às alterações socioeconómicas provocadas pela conjugação da tecnologia digital e das telecomunicações.

O impacto nos media e na televisão em particular,  tem sido significativo, causando mesmo disrupção; ou seja, tornando o obsoleto o modelo de negócio vigente.

Um modelo de negócio obsoleto quer dizer que   as preferências dos consumidores deixaram de poder ser satisfeitas na sua plenitude pelas atuais estruturas da empresa e/ou que a forma de monetizar o valor do negócio se alterou, e/ou a lista de stakeholders e seu grau de importância mudaram. Face a esta realidade é necessário alterar a organização, seu propósito, sua missão e a sua visão, para prosseguir na satisfação dos seus stakeholders.

No caso da televisão o modelo de negócio tem vindo a adaptar a sua cadeia de valor em função da tecnologia disponível. Como é possível verificar na figura 3 de um relatório, sobre o tema, da BCG . Estas alterações foram produzindo diferentes cadeias de valor, devido à forma como efetuavam a sua difusão, primeiro por transmissão clássica (broadcast), depois por cabo (pay tv) e por fim online.

Estes modos de difusão foram gerando distintas oportunidades e diferentes modelos de negocio quanto a conteúdos, primeiro criando canais agregadores dos mesmos como a ESPN ou a Walt Disney, a que se seguiram as redes de distribuição por cabo e por fim o modelo de distribuição por internet como a Netflix e a Amazon Tv.

Nas primeiras alterações o consumidor foi surpreendido por uma especialização (segmentação de canais) e um impressionante alargamento da oferta, com o online conjugado com a distribuição pela internet, as preferências e a relação cliente/fornecedor alteraram-se.

Anteriormente o cliente tinha um poder limitado sobre a seleção dos conteúdos, uma vez que uma das funções do fornecedor era a curadoria de conteúdos. Hoje o consumidor não reconhece esse valor às estações de televisão, preferindo ser ele a efetuar essa seleção.

Esta alteração tem um impacto significativo na monetização de valor, uma vez que o modelo tradicional está suportado na publicidade, à qual o consumidor não pode fugir, o que lhe provoca, muitas vezes a perceção de uma má experiencia e, portanto, valoriza um modelo que melhore a sua experiência e que não tenha publicidade (demoradas interrupções na experiência de ver um conteúdo).

Sem disrupção não é possível adaptar o modelo tradicional às preferências atuais, uma vez que a monetização de valor no primeiro é devido ao stakeholder: marcas anunciantes, o qual praticamente não existe ou não tem igual relevância no segundo modelo, cuja monetização é a subscrição.

Afirmo no título deste artigo, que esta disrupção se está a consolidar, isto é, será o futuro modelo de negócio para operar no setor, uma vez que,  segundo um artigo da Economist, os tradicionais players como a Disney a At&T e a Comcast estão a efetuar massivos investimentos para converterem os seus negócios.

Enquanto gestor e marketer, importa-me o impacto desta alteração na forma como se pode gerar notoriedade e associar valores a marcas e, enquanto consumidor importa-me compreender o que vai acontecer a determinados conteúdos que neste momento são financiados pelo atual modelo de negócio, como é o caso das noticias.

Relativamente às marcas penso que continuaremos a verificar uma migração do investimento em televisão para o investimento no digital. Surge também, com este novo modelo, conjugado com o novo paradigma de gestão de conteúdos a que as marcas estão submetidas, a possibilidade de estas se associarem à gestão de conteúdos relevantes que possam ser difundidos pelos modelos de negócio de subscrição, por exemplo através de documentários, como fez a marca de fórmula 1 Williams na Netflix.

Relativamente às noticias ou melhor dito, ao jornalismo, que é um contributo determinante para a saúde e desenvolvimento da democracia e dos negócios, penso que terá de evoluir também para o modelo de subscrição, como aliás já está a ser efetuado por alguns jornais.

Conteúdos relevantes com uma narrativa radicalmente distinta da publicidade é a oportunidade e desafio das grandes marcas para os próximos anos.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Agilidade – Uma Preocupação Global

Agilidade - Uma preocupação global

A palavra agilidade é uma buzzword dos negócios, já com algum tempo, mas que tem vindo a ganhar importância nos últimos tempos.

agilidade-preocupacao-globalA sua relevância deriva do facto de, hoje, pessoas e organizações, enfrentarem uma realidade de mudança e adaptação permanente, implicando, por isso a necessidade de ser ágil.

Trata-se de uma realidade transversal a todos aos sectores de negócio e a todas as áreas das empresas. Se existem sectores onde esta realidade já está a ser vivida, em outros, estará para chegar. Depende, em grande parte, do nível de desenvolvimento tecnológico do negócio.

A implicação ao nível organizacional e pessoal (colaboradores) é muito relevante e permanente.

Implicando para os colaboradores, abandonar dogmas e saber de experiência feito, aprender a viver com uma enorme incerteza sem perder a sensação de segurança que permite ser produtivo e criativo, ser resiliente e estar disponível para a aprendizagem rápida e permanente.

As organizações necessitam implementar uma cultura de partilha, de se abrirem e colaborarem mais com o exterior e desenvolver lideranças que acomodem bem a incerteza e, dentro desta, inspirem a confiança necessária.

O tema da Agilidade e transformação tem apaixonado académicos, lideres e consultoras, e tem-se produzido muito conhecimento sobre este desafio; um dos mais importantes do inicio deste século.

Ao nível do marketing, esta realidade é bem visível no marketing de bens de consumo e das funções de brand manager , como demonstra e desenvolve o artigo da McKinsey de Abril 2019, ou na tomada de decisão sobre que software utilizar para gestão de conteúdos digitais, dado o crescimento permanente da oferta, como demonstra o infográfico da ChiefMartec, apresentando 7.040 soluções, quando à 5 anos atrás existiam apenas 1.000.

Mudança de mindset e desenvolvimento de soft skills são um relevante contributo para nos tornarmos ágeis.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

A Importância da Escuta Ativa no Comportamento de Vendas

A Importância da Escuta Ativa no Comportamento de Vendas

Se encararmos o ato ou processo de vendas, como a atividade profissional que se destina a descobrir e satisfazer as necessidades dos clientes, torna-se obvia a importância do processo de comunicação e, dentro deste, a escuta ativa.

 

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Hoje, quem não tiver esta abordagem às vendas, não tem, em minha opinião, possibilidades de sobrevivência no longo prazo, uma vez que o ambiente em que estas se desenrolam caracteriza-se por:

  • Concorrência muito elevada;
  • Os clientes estão em paridade de informação com o vendedor, igualando a relação de “poderes”;
  • Os clientes esperam uma experiência positiva do ato de compra. A compra é vista como um momento de prazer e de descontração, que contribui para a compensação de uma vida intensa, frenética e exigente. Neste registo, os clientes não admitem comportamentos de pressão, normalmente ligados a empresas centradas nos seus resultados por alternativa a um propósito social de partilha de valor, como é o de satisfazer necessidades e/ou contribuir para um mundo melhor.

Esta realidade gera 2 desafios às organizações: um a nível do seu propósito e outro a nível do perfil e da atividade dos vendedores.

As organizações que colocam demasiada agressividade e foco nos números, que é o mesmo que dizer que colocam o foco na transação e não na relação, estão a realizar os seus números e a comprometer o futuro. Hoje as vendas não podem ser encaradas desta forma, embora objetivos realistas tenham de ser cumpridos.

A razão de existir e o propósito das empresas não só têm de se preocupar com todos os seus stakeholders, como também ter um comportamento integrado na sociedade, contribuindo para o seu bem-estar, atuando não só ao nível dos seus produtos e serviços, mas alargando a sua esfera de influencia e atuação para áreas onde a sociedade necessita de resolver problemas complexos e de elevada dimensão.

Como bons exemplos temos o Grupo Jerónimo Martins que através da sua Fundação Francisco Manuel dos Santos, contribui para a geração de conhecimento  e desenvolvimento da sociedade portuguesa. Ou o Grupo Brodheim com a sua plantação de arvores a contribuir para a reflorestação.

Esta participação alargada das empresa na sociedade já gerou noticias como o ranking das 250 empresa mais generosas na revista Fortune.

No que respeita aos profissionais de vendas, estes para satisfazer necessidades necessitam conhecê-las e é aí que o processo de comunicação e a escuta ativa desempenham um papel crucial no processo e sucesso da venda, uma vez que sem esta, a venda não se realizará, ou realizar-se-á de forma deficiente; isto é, a necessidade do cliente não ficará cabalmente satisfeita e/ou a sua experiência de compra não será a mais positiva.

O que é então a escuta ativa?

É a fase do processo de vendas em que o vendedor, através de perguntas adequadas e de uma escuta atenta, não só ao que o cliente expressa verbalmente, mas também ao que está latente ou subentendido nas suas palavras e aos seus sinais expressos pela comunicação não verbal; toma consciência das necessidades do seu cliente e da melhor forma para lhe pode comunicar o produto ou serviço que satisfaz as suas necessidades, encontrando essa solução numa relação de paridade e de colaboração em que o cliente não se sente pressionado, mas sim a aprender e a disfrutar do momento.

Esta atividade nuclear do processo de vendas implica um perfil de indivíduos que genuinamente se preocupam com o outro e que gostam de ajudar a encontrar soluções para os seus problemas; o qual tem, obviamente, de ser enquadrado na cultura empresarial com as características já referidas.

Em minha opinião este perfil pode ser moldado, existindo uma base genuína, e a escuta ativa pode ser treinada.

Vivemos uma época em que, as empresas e quem nelas vende, tem uma excelente oportunidade para alterar o estigma social negativo que normalmente cai sobre as profissões de vendas. Basta proporcionar boas experiências e com elas fidelizar clientes e contribuir para um mundo melhor.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

A Dificuldade em Ser Relevante

A Dificuldade em ser Relevante

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Ser relevante para o cliente, a par com a diferenciação, é das regras mais elementares do marketing, contudo cada vez mais difícil de conseguir.

A relevância para o cliente é sinónimo de importância, isto é, a partir do momento que somos relevantes para o cliente, este passa a estar disponível dar atenção à nossa mensagem, avaliá-la e, se confirmar que a nossa proposta se ajusta às suas necessidades e, paralelamente desenvolveu confiança em nós e validou credibilidade; então pode considerar, estabelecer uma relação connosco e comprar a nossa oferta.

O difícil hoje, mais que no passado, é conseguir que ele preste atenção ao que temos para dizer.

É mais difícil que no passado por duas razões: todos os negócios estão sujeitos a uma maior pressão concorrencial e por outro lado a multiplicação dos canais de comunicação e o consequente aumento do numero de estímulos “intoxica” os clientes.

Atentemos no exponencial aumento de estímulos e deixemos a concorrência para uma posterior análise.

De facto, a multiplicação exponencial dos canais e das oportunidades de comunicação, é simultaneamente uma oportunidade para interagir mais com o cliente, mas também uma dificuldade porquanto, não há ser humano que suporte acolher todas as mensagens que lhe são dirigidas.

Basta pensar apenas no marketing direto e no numero de emails e mensagens personalizadas que diariamente recebemos e apagamos, sem prestar a mínima atenção ao seu conteúdo, para entendermos a dificuldade acrescida de ser relevante, pois nem sequer temos a oportunidade de comunicar o que quer que seja.

Somos “afastados” do cliente apenas por uma questão de natureza humana (impossibilidade de ler tudo que nos é dirigido), ainda que a nossa mensagem seja relevante e a nossa oferta diferenciada.

Neste mundo de “intoxicação” de informação e comunicação, o click que permite ter a atenção do cliente é chave para o sucesso, e por isso um desafio para agencias e marketeers.

Votos de uma boa rentrée.

  • Artigo escrito e publicado em 2019