Disrupção na Televisão – A Fase de Consolidação

Disrupção na Televisão - A Fase de Consolidação

A disrupção que atualmente se vem a produzir nos negócios, deve-se ao que venho chamando de paradigma 4.0, ou seja, às alterações socioeconómicas provocadas pela conjugação da tecnologia digital e das telecomunicações.

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A disrupção que atualmente se vem a produzir nos negócios, deve-se ao que venho chamando de paradigma 4.0, ou seja, às alterações socioeconómicas provocadas pela conjugação da tecnologia digital e das telecomunicações.

O impacto nos media e na televisão em particular,  tem sido significativo, causando mesmo disrupção; ou seja, tornando o obsoleto o modelo de negócio vigente.

Um modelo de negócio obsoleto quer dizer que   as preferências dos consumidores deixaram de poder ser satisfeitas na sua plenitude pelas atuais estruturas da empresa e/ou que a forma de monetizar o valor do negócio se alterou, e/ou a lista de stakeholders e seu grau de importância mudaram. Face a esta realidade é necessário alterar a organização, seu propósito, sua missão e a sua visão, para prosseguir na satisfação dos seus stakeholders.

No caso da televisão o modelo de negócio tem vindo a adaptar a sua cadeia de valor em função da tecnologia disponível. Como é possível verificar na figura 3 de um relatório, sobre o tema, da BCG . Estas alterações foram produzindo diferentes cadeias de valor, devido à forma como efetuavam a sua difusão, primeiro por transmissão clássica (broadcast), depois por cabo (pay tv) e por fim online.

Estes modos de difusão foram gerando distintas oportunidades e diferentes modelos de negocio quanto a conteúdos, primeiro criando canais agregadores dos mesmos como a ESPN ou a Walt Disney, a que se seguiram as redes de distribuição por cabo e por fim o modelo de distribuição por internet como a Netflix e a Amazon Tv.

Nas primeiras alterações o consumidor foi surpreendido por uma especialização (segmentação de canais) e um impressionante alargamento da oferta, com o online conjugado com a distribuição pela internet, as preferências e a relação cliente/fornecedor alteraram-se.

Anteriormente o cliente tinha um poder limitado sobre a seleção dos conteúdos, uma vez que uma das funções do fornecedor era a curadoria de conteúdos. Hoje o consumidor não reconhece esse valor às estações de televisão, preferindo ser ele a efetuar essa seleção.

Esta alteração tem um impacto significativo na monetização de valor, uma vez que o modelo tradicional está suportado na publicidade, à qual o consumidor não pode fugir, o que lhe provoca, muitas vezes a perceção de uma má experiencia e, portanto, valoriza um modelo que melhore a sua experiência e que não tenha publicidade (demoradas interrupções na experiência de ver um conteúdo).

Sem disrupção não é possível adaptar o modelo tradicional às preferências atuais, uma vez que a monetização de valor no primeiro é devido ao stakeholder: marcas anunciantes, o qual praticamente não existe ou não tem igual relevância no segundo modelo, cuja monetização é a subscrição.

Afirmo no título deste artigo, que esta disrupção se está a consolidar, isto é, será o futuro modelo de negócio para operar no setor, uma vez que,  segundo um artigo da Economist, os tradicionais players como a Disney a At&T e a Comcast estão a efetuar massivos investimentos para converterem os seus negócios.

Enquanto gestor e marketer, importa-me o impacto desta alteração na forma como se pode gerar notoriedade e associar valores a marcas e, enquanto consumidor importa-me compreender o que vai acontecer a determinados conteúdos que neste momento são financiados pelo atual modelo de negócio, como é o caso das noticias.

Relativamente às marcas penso que continuaremos a verificar uma migração do investimento em televisão para o investimento no digital. Surge também, com este novo modelo, conjugado com o novo paradigma de gestão de conteúdos a que as marcas estão submetidas, a possibilidade de estas se associarem à gestão de conteúdos relevantes que possam ser difundidos pelos modelos de negócio de subscrição, por exemplo através de documentários, como fez a marca de fórmula 1 Williams na Netflix.

Relativamente às noticias ou melhor dito, ao jornalismo, que é um contributo determinante para a saúde e desenvolvimento da democracia e dos negócios, penso que terá de evoluir também para o modelo de subscrição, como aliás já está a ser efetuado por alguns jornais.

Conteúdos relevantes com uma narrativa radicalmente distinta da publicidade é a oportunidade e desafio das grandes marcas para os próximos anos.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Agilidade – Uma Preocupação Global

Agilidade - Uma preocupação global

A palavra agilidade é uma buzzword dos negócios, já com algum tempo, mas que tem vindo a ganhar importância nos últimos tempos.

agilidade-preocupacao-globalA sua relevância deriva do facto de, hoje, pessoas e organizações, enfrentarem uma realidade de mudança e adaptação permanente, implicando, por isso a necessidade de ser ágil.

Trata-se de uma realidade transversal a todos aos sectores de negócio e a todas as áreas das empresas. Se existem sectores onde esta realidade já está a ser vivida, em outros, estará para chegar. Depende, em grande parte, do nível de desenvolvimento tecnológico do negócio.

A implicação ao nível organizacional e pessoal (colaboradores) é muito relevante e permanente.

Implicando para os colaboradores, abandonar dogmas e saber de experiência feito, aprender a viver com uma enorme incerteza sem perder a sensação de segurança que permite ser produtivo e criativo, ser resiliente e estar disponível para a aprendizagem rápida e permanente.

As organizações necessitam implementar uma cultura de partilha, de se abrirem e colaborarem mais com o exterior e desenvolver lideranças que acomodem bem a incerteza e, dentro desta, inspirem a confiança necessária.

O tema da Agilidade e transformação tem apaixonado académicos, lideres e consultoras, e tem-se produzido muito conhecimento sobre este desafio; um dos mais importantes do inicio deste século.

Ao nível do marketing, esta realidade é bem visível no marketing de bens de consumo e das funções de brand manager , como demonstra e desenvolve o artigo da McKinsey de Abril 2019, ou na tomada de decisão sobre que software utilizar para gestão de conteúdos digitais, dado o crescimento permanente da oferta, como demonstra o infográfico da ChiefMartec, apresentando 7.040 soluções, quando à 5 anos atrás existiam apenas 1.000.

Mudança de mindset e desenvolvimento de soft skills são um relevante contributo para nos tornarmos ágeis.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

A Importância da Escuta Ativa no Comportamento de Vendas

A Importância da Escuta Ativa no Comportamento de Vendas

Se encararmos o ato ou processo de vendas, como a atividade profissional que se destina a descobrir e satisfazer as necessidades dos clientes, torna-se obvia a importância do processo de comunicação e, dentro deste, a escuta ativa.

 

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Hoje, quem não tiver esta abordagem às vendas, não tem, em minha opinião, possibilidades de sobrevivência no longo prazo, uma vez que o ambiente em que estas se desenrolam caracteriza-se por:

  • Concorrência muito elevada;
  • Os clientes estão em paridade de informação com o vendedor, igualando a relação de “poderes”;
  • Os clientes esperam uma experiência positiva do ato de compra. A compra é vista como um momento de prazer e de descontração, que contribui para a compensação de uma vida intensa, frenética e exigente. Neste registo, os clientes não admitem comportamentos de pressão, normalmente ligados a empresas centradas nos seus resultados por alternativa a um propósito social de partilha de valor, como é o de satisfazer necessidades e/ou contribuir para um mundo melhor.

Esta realidade gera 2 desafios às organizações: um a nível do seu propósito e outro a nível do perfil e da atividade dos vendedores.

As organizações que colocam demasiada agressividade e foco nos números, que é o mesmo que dizer que colocam o foco na transação e não na relação, estão a realizar os seus números e a comprometer o futuro. Hoje as vendas não podem ser encaradas desta forma, embora objetivos realistas tenham de ser cumpridos.

A razão de existir e o propósito das empresas não só têm de se preocupar com todos os seus stakeholders, como também ter um comportamento integrado na sociedade, contribuindo para o seu bem-estar, atuando não só ao nível dos seus produtos e serviços, mas alargando a sua esfera de influencia e atuação para áreas onde a sociedade necessita de resolver problemas complexos e de elevada dimensão.

Como bons exemplos temos o Grupo Jerónimo Martins que através da sua Fundação Francisco Manuel dos Santos, contribui para a geração de conhecimento  e desenvolvimento da sociedade portuguesa. Ou o Grupo Brodheim com a sua plantação de arvores a contribuir para a reflorestação.

Esta participação alargada das empresa na sociedade já gerou noticias como o ranking das 250 empresa mais generosas na revista Fortune.

No que respeita aos profissionais de vendas, estes para satisfazer necessidades necessitam conhecê-las e é aí que o processo de comunicação e a escuta ativa desempenham um papel crucial no processo e sucesso da venda, uma vez que sem esta, a venda não se realizará, ou realizar-se-á de forma deficiente; isto é, a necessidade do cliente não ficará cabalmente satisfeita e/ou a sua experiência de compra não será a mais positiva.

O que é então a escuta ativa?

É a fase do processo de vendas em que o vendedor, através de perguntas adequadas e de uma escuta atenta, não só ao que o cliente expressa verbalmente, mas também ao que está latente ou subentendido nas suas palavras e aos seus sinais expressos pela comunicação não verbal; toma consciência das necessidades do seu cliente e da melhor forma para lhe pode comunicar o produto ou serviço que satisfaz as suas necessidades, encontrando essa solução numa relação de paridade e de colaboração em que o cliente não se sente pressionado, mas sim a aprender e a disfrutar do momento.

Esta atividade nuclear do processo de vendas implica um perfil de indivíduos que genuinamente se preocupam com o outro e que gostam de ajudar a encontrar soluções para os seus problemas; o qual tem, obviamente, de ser enquadrado na cultura empresarial com as características já referidas.

Em minha opinião este perfil pode ser moldado, existindo uma base genuína, e a escuta ativa pode ser treinada.

Vivemos uma época em que, as empresas e quem nelas vende, tem uma excelente oportunidade para alterar o estigma social negativo que normalmente cai sobre as profissões de vendas. Basta proporcionar boas experiências e com elas fidelizar clientes e contribuir para um mundo melhor.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

A Dificuldade em Ser Relevante

A Dificuldade em ser Relevante

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Ser relevante para o cliente, a par com a diferenciação, é das regras mais elementares do marketing, contudo cada vez mais difícil de conseguir.

A relevância para o cliente é sinónimo de importância, isto é, a partir do momento que somos relevantes para o cliente, este passa a estar disponível dar atenção à nossa mensagem, avaliá-la e, se confirmar que a nossa proposta se ajusta às suas necessidades e, paralelamente desenvolveu confiança em nós e validou credibilidade; então pode considerar, estabelecer uma relação connosco e comprar a nossa oferta.

O difícil hoje, mais que no passado, é conseguir que ele preste atenção ao que temos para dizer.

É mais difícil que no passado por duas razões: todos os negócios estão sujeitos a uma maior pressão concorrencial e por outro lado a multiplicação dos canais de comunicação e o consequente aumento do numero de estímulos “intoxica” os clientes.

Atentemos no exponencial aumento de estímulos e deixemos a concorrência para uma posterior análise.

De facto, a multiplicação exponencial dos canais e das oportunidades de comunicação, é simultaneamente uma oportunidade para interagir mais com o cliente, mas também uma dificuldade porquanto, não há ser humano que suporte acolher todas as mensagens que lhe são dirigidas.

Basta pensar apenas no marketing direto e no numero de emails e mensagens personalizadas que diariamente recebemos e apagamos, sem prestar a mínima atenção ao seu conteúdo, para entendermos a dificuldade acrescida de ser relevante, pois nem sequer temos a oportunidade de comunicar o que quer que seja.

Somos “afastados” do cliente apenas por uma questão de natureza humana (impossibilidade de ler tudo que nos é dirigido), ainda que a nossa mensagem seja relevante e a nossa oferta diferenciada.

Neste mundo de “intoxicação” de informação e comunicação, o click que permite ter a atenção do cliente é chave para o sucesso, e por isso um desafio para agencias e marketeers.

Votos de uma boa rentrée.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

A Diferenciação na Responsabilidade Social

A Diferenciação na Responsabilidade Social

A responsabilidade social tem hoje uma relevância inquestionável, quer na comunicação, quer na relação das empresas e marcas com os seus stakeholders.

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Neste artigo, entende-se responsabilidade social como o conjunto de responsabilidades que uma organização, voluntariamente, assume para com os seus stakeholders. Esse conjunto pode incluir, segundo Haski-Leventhal, as seguintes responsabilidades: ética, legal, económica, social, ambiental e filantrópica.

Varias razões convergem para esta realidade; por um lado o alargamento das funções da marca e a sua necessidade de gerar conteúdos, e por outro a necessidade de partilhar valor com a sociedade.

Se a responsabilidade social corporativa é uma componente inolvidável nos planos anuais das empresas e das marcas, pelas razões anteriormente expostas, também é recomendável que esses planos procurem, complementarmente, apoiar a diferenciação e aumentar as associações positivas a essas marcas e empresas.

Este é um desafio verdadeiramente aliciante face à imensidão de problemas existentes no mundo e na sociedade. Qual selecionar?

Penso que se deve ponderar os recursos a afetar e a capacidade de efetivamente fazer a diferença na contribuição para a resolução do problema selecionado. Deve ainda entrar na equação, o DNA da marca e da cultura empresarial, bem como os problemas que estão próximos ou são mesmo gerados pelo setor onde se insere o negócio.

Uma outra abordagem diferenciada é identificar os problemas e impactos gerados pela cadeia de valor onde o negócio está inserido e procurar através da inovação e/ou da disrupção minorar ou eliminar esses impactos. A economia circular é exemplo de um dos conceitos que pode inspirar formas de minorar ou mesmo solucionar problemas ambientais.

A responsabilidade social é uma realidade inquestionável. Se conseguirmos que os recursos a ela afetos acrescentem valor pela diferenciação e relevância para os stakeholders, então estamos a fazer uma desejável otimização desses recursos, dado o beneficio mutuo para a sociedade e para a empresa.

“Tech” – Buzzword da Moda

"Tech" - Buzzword da moda

Com o crescimento e penetração da tecnologia digital em todas as dimensões da sociedade, das organizações e da vida das pessoas, tornou-se relevante realçar essa presença da tecnologia.

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Mentalmente, e em boa parte na realidade, passaram como que a existir dois mundos, o anterior ao digital e o que já incorpora o digital.  O sufixo “Tech” tem vindo a fazer essa distinção, designando esta nova realidade onde o digital tem grande peso na maior parte das interações tanto na esfera social como profissional.

Como exemplo apresenta-se o MarTech para designar o marketing suportado em tecnologias digitais, essencialmente software (veja o mapa no link) que abarca desde o research à analise de resultados, passando por todas as comunicações, ativações e relacionamentos digitais.

O GovTech é outro exemplo, que designa todo um conjunto de aplicações que visam melhorar a prestação de serviços públicos que vão da defesa e segurança á educação e saúde e tem iniciativas em muitos países, inclusive Portugal e terá a sua primeira grande conferência no próximo mês de novembro em Paris.

Este “Admirável Mundo Novo” aumenta de velocidade e complexidade a cada dia que passa. A quantidade de soluções disponíveis pelo mundo fora é perto de infinita e torna-se difícil para os utilizadores de realmente beneficiar do valor acrescentado de cada uma delas. Para tal, necessitaríamos de um BrainTech, ou seja, um cérebro também com a inclusão de tecnologia digital. Nada que não esteja já pensado nas tendências evolutivas e ficcionado em inúmeros filmes.

Esta necessidade e evolução levanta muitas interrogações e medos, desde logo da perca de domínio do homem sobre a máquina; e também do perigo de violação da privacidade de pensamentos. Já pensou se alguém puder aceder aos seus mais impulsivos ou secretos pensamentos?

A necessidade de segurança da informação intima e pessoal vai ser crucial para estes desenvolvimentos, pois está ligada à perceção de confiança necessária para a sua adoção. As empresas que trabalharem nesta área terão o desafio de efetivar essa segurança e de a comunicar com credibilidade.

Creio que este será um dos fatores, a par do valor acrescentado, que levará à consolidação do mercado de todas estas aplicações tecnológicas desenvolvidas para nos facilitar a vida, mas que hoje dada a complexidade do mapa de players nos dificulta a compreensão, utilização e operacionalização.

E como será efetuada essa consolidação? As grandes empresas do universo digital (FAMGA) tomarão nas suas mãos a consolidação do setor? Ou serão as grandes empresas do universo dos media? Ou surgirão novas grandes empresas? Provavelmente um mix de tudo isto.

Seguimos disfrutando e atuando nesta nova Era.  

  • Artigo escrito e publicado em 2018

Portfolio e Território de Marcas

Portfolio e Território de Marcas

A criação de valor de uma marca consome tempo e recursos, pelo que as empresas têm de refletir, no médio/longo prazo, como organizar o seu portfolio de marcas por forma maximizar o valor do portfolio e garantir a satisfação dos seus stakeholders.

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No limite da otimização pura, poder-se-ia afirmar que canalizando todos os recursos para uma marca, teríamos a possibilidade de ter um foco total e crescimento de valor em menor tempo. Acontece que esta situação é académica, pois existem fatores que inviabilizam.

Chamo a esses fatores, as dimensões do território da marca; sendo este a soma dos espaços que a marca ocupa nessas diferentes dimensões.

As dimensões do território da marca podem ter várias óticas, desde logo as variáveis do marketing mix, o tipo de serviço e o modelo de relacionamento com o cliente, bem como a perceção e experiência do cliente, que decorre obviamente, das anteriormente enumeradas.

As combinações destas dimensões são teoricamente infinitas, mas na prática assim não é porque existem algumas delas incompatíveis e é dessa incompatibilidade que surge necessidade de criar mais marcas e desenvolver portfolio.

Por exemplo, no negócio de vinhos, a dimensão preço, muito ligada á perceção de qualidade, inviabiliza uma marca que permita uma perceção de “value for money” e uma perceção de luxo, pois elas são mutuamente exclusivas.

Outro exemplo, mas no B2B tem a ver com a dimensão setor de atividade; por exemplo equipamentos para os setores médico e hospitalar não deverão ter a mesma marca que o setor doméstico ou de outro sector industrial, uma vez que as imagens de precisão, qualidade e exclusividade são também incompatíveis.

Contudo, como normalmente acontece nas ciências humanas, a subjetividade, origina a relativização da regra e, neste exemplo também se encontram exceções; são o caso da Siemens e da General Electric, que usando a mesma marca lhe apõem healthcare, criando assim uma submarca, mas beneficiando ainda de algumas sinergias através da “marca chapéu”.

 No exercício de desenvolvimento de um portfolio de marcas deve responder-se à questão: A extensão do território de uma marca existente para alargar mercado, vai acrescentar ou destruir valor de marca?

No caso de destruir valor, deve então ser avaliada a oportunidade de criar uma nova marca ou submarca.

A gestão de portfolio de marcas encerra em si também uma dimensão estratégica de mitigação do risco de negócio e de garante da sua longevidade de longo prazo.  Nesta análise podem utilizar-se múltiplas análises, normalmente em matriz, da qual destaco a clássica a matriz da BCG.

Esta palavras não esgotam o tema, apenas constituem a partilha de algumas reflexões sobre ele, neste tempo de reflexão estratégica que para mim é o final de ano.

Votos de Boas Festas.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

O Paradigma 4.0 nos RH – Impactos e Tendência

O Paradigma 4.0 nos RH - Impactos e Tendência

O atual contexto socioeconómico é configurado pelo paradigma tecnológico em que vivemos, que,
obviamente, impacta significativamente a área dos recursos humanos.

Neste white paper propomo-nos definir os contornos desta temática, avaliando os seus impactos na gestão de recursos humanos em geral e em algumas das suas áreas especificas, como por exemplo o recrutamento e a formação.

Algumas Definições Prévias

O Paradigma 4.0 pode ser definido como tendo origem na revolução industrial 4.0, que surgiu com o aparecimento do computador pessoal (PC), dos sistemas de informação e do desenvolvimento das telecomunicações. Esta realidade tecnológica proporcionou a capacidade para o tratamento e difusão de massivas quantidades de informação.

Alargando os impactos destas inovações disruptivas para a esfera global da sociedade, obtemos o paradigma 4.0, constituído pelo conjunto de conceitos e pressupostos que definem e permitem analisar as alterações na sociedade atual, em todas as suas dimensões; como por exemplo o surgimento das redes sociais, novos modelos de negócio e novas formas de trabalho.

É relevante compreender este paradigma, uma vez que os cientistas sociais que analisam longas series de tempo, quer económicas, quer de história, referem que os paradigmas tecnológicos duram cerca de 70 anos. Como esta revolução se iniciou em 1971 (surgimento do PC), teoricamente estender-se-á até 2041, temos, portanto, ainda cerca de 25 anos de vigência deste paradigma da informação e telecomunicações.

Assim, o desenvolvimento de cenários prospetivos deve ser enquadrado nesta realidade.

No Contexto deste artigo definimos Recursos Humanos como a gestão das pessoas, numa lógica não operacional, que engloba desde a sua a seleção e integração, ao desenvolvimento das condições organizacionais e de liderança que permitam um compromisso e inerente desempenho capaz de gerar valor acrescentado que contribua para o cumprimento dos objetivos da organização onde estão inseridos; assim como para a prossecução dos seus objetivos pessoais.

 

Impactos do Paradigma 4.0 na Gestão de Recursos Humanos

Este desenvolvimento tecnológico dos sistemas de informação e das telecomunicações estão a criar novas tecnologias derivadas das anteriores, como a inteligência artificial, a internet das coisas, a nanotecnologia e a biotecnologia.

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Figura 1 – Novas Tecnologias derivadas das anteriores

Facilmente se compreende que criando máquinas mais inteligentes e que até podem aprender sozinhas, a relação homem-máquina mudará significativamente.

A máquina ganhará mais protagonismo e o homem terá de ser mais tecnológico para interatuar e controlar máquinas que são mais inteligentes e tecnologicamente mais avançadas

A maquina tenderá a desenvolver todas as tarefas mecânicas e repetitivas; no limite, terminando com a existência do que hoje designamos por trabalho indiferenciado.

O português Pedro Domingos no seu Livro A Revolução do Algoritmo Mestre prevê que a inteligência artificial permita desenvolver máquinas que possam desempenhar atividades cujo desempenho e performance dependam de observação sistemática traduzível para linguagem matemática. Nestas atividades, a máquina rapidamente terá melhor desempenho que o homem, uma vez consegue tratar quantidades massivas de informação (Big Data), num tempo e resultado que ao homem, não é física nem biologicamente possível. Assim as atividades de comparação de dados para a tomada de melhores decisões, a própria tomada deste tipo de decisões e as previsões, serão atividades dominadas pelas máquinas.

O que não se prevê é que a máquina substitua o que são as atividades sociais e profissionais onde exista uma significativa e relevante incorporação das emoções; característica única do homem.

Esta realidade está a gerar novos modelos de negócio e novas profissões impossíveis de prever, pois o paradigma 4.0 gerou um mundo VICA onde a prospetiva se torna difícil.

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Figura 2 – Definição de mundo VICA

Perante este contexto pode-se afirmar que a gestão de recursos humanos terá de recrutar e gerir mais flexibilidade, dinâmica e mudança constante e, por consequência, uma aprendizagem frequente.

Este “Novo Mundo” também originou uma diferença geracional muito significativa e, como os Millennials serão os trabalhadores de amanhã, senão de hoje, importa compreender como vêm eles o trabalho inserido na globalidade da sua vida.

De facto as novas gerações têm uma nova forma de encarar o trabalho. O percurso é muito importante e o trabalho é encarado como uma experiência.

Segundo a Gallup, experiência positiva no trabalho, são empregos que se ajustem ao estilo de vida (que hoje como sabemos é intenso e dinâmico) dos colaboradores, lhes proporcionem oportunidades de crescimento e os ligue (contribuindo com o seu trabalho) a uma ideia com grande significado e propósito.

Uma Grande Ideia que una e motive as pessoas, não é um conceito novo, aliás remonta ás origens do homem como refere Yuval Noah Harari no seu livro Sapiens.  A capacidade comunicar ideias, para além da realidade física, distingue o homem dos outros animais e, ao longo da história, tem sido em torno de ideias que o homem construiu, países, religiões e todas as organizações.

Hoje não basta uma ideia, é necessária uma grande ideia, que é o mesmo que dizer que tenha um relevante contributo para a sociedade e não apenas para os acionistas, pois nestas gerações, a contribuição e a partilha são muito relevantes. A carreira será um cumulado de experiências, um caminho que contribua significativamente para o significado da vida.

 

A gestão de recursos humanos necessita assim de contribuir para a construção de organizações que tenham um propósito relevante para a sociedade e de desenvolver uma cultura organizacional conforme. 

Esta realidade implicará, não só novas formas de organização, cooperação interna e de liderança, como também de relacionamento das organizações com os mercados e a sociedade em geral.

Nesta nova fase das organizações tem sido geradas diferentes conceções da mesma. Surge o conceito que responde a modos de funcionamento ágeis: as Agile Organizations como referem a BCG  e a Mckinsey. Surge também o conceito de uma organização mais interligada com a sociedade: A Deloitte designa-a como a Empresa Social.

A organização ágil responde ao mundo VICA e a empresa social ao contributo para a sociedade e às novas formas de encarar o trabalho; na verdade, ambas as valências são necessárias e constituem um desafio organizacional e pessoal.

Para cumprir estes novos desígnios organizacionais é necessário ter a coragem de pensar sem dogmas e repensar todo o modelo de negócio, ainda que conduza à disrupção. Contudo a sua implementação pode ter os riscos controlados.

Outra consequência organizacional é a de criar uma cultura de Learning Organization, isto é, uma cultura que incentive, dinamize e proporcione a vontade de aprender. Esta é a forma de se adaptar ao mundo VICA e de gerar confiança nos colaboradores, pois face à incerteza, a aprendizagem é o caminho que a resolverá dando a compreensão e os skills para a enfrentar.

Este novo modelo de negócio incorporará seguramente automação, tecnologias de gestão, relacionamento colaborativo e a criação de equipas multidisciplinares. Tudo isto com o objetivo de cumprir o propósito da empresa e de proporcionar satisfação a todos os stakeholders.

Uma organização assim gera novas formas de viver o trabalho a que designo de “Trabalho Agile 4.0” onde o espirito colaborativo, a cocriação, as relações de paridade por oposição à hierárquicas vão ser uma constante; assim como a mobilidade e o teletrabalho.

Como refere a Gallup, os colaboradores esperam um ambiente organizacional onde exista velocidade e eficiência, autonomia e confiança, liberdade para experimentar e tolerância ao erro, assim como uma comunicação fluida em todas as direções.

Em síntese apresenta-se um mapa mental com as principais conclusões sobre os impactos do paradigma 4.0 nos Recursos Humanos.

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Figura 3 – Impactos do Paradigma 4.0 nos Recursos Humanos

Impactos Específicos

A gestão de recursos humanos neste tempo de mudança pode simplificar-se como a procura de um equilibro entre contratação de competências (emocionais e técnicas), compromisso e envolvimento das pessoas que as possuem em torno do projeto (propósito da empresa) e condições organizacionais (cultura, liderança, ambiente social e recompensas) que permitam a execução rápida, excelente e diferenciada.  

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Figura 4 – Variáveis de Gestão de Recursos Humanos no Paradigma 4.0

Avaliaremos agora os impactos específicos do paradigma 4.0 em algumas áreas especificas.

Recrutamento

Ao nível do recrutamento para além do tradicional perfil emocional, social e técnico, que terá competências ajustadas às realidades acima descritas, surgem impactos na utilização de novas ferramentas e formas de recrutamento, assim como dificuldades acrescidas devido às tendências que muitos talentos apresentam para não querem vínculos  nem compromissos, preferem os GIG Jobs[1].

Estas pessoas de elevado valor e talento habituaram-se a viver com a insegurança de não ter um emprego fixo e saborearam o gosto da liberdade e independência que não mais querem largar; conseguindo mesmo, em muitos casos, vidas melhores que os seus pares quadros de empresas, como recentemente refere um artigo de Harvard. Sem um propósito muito relevante, as empresas deixaram de ser “sexy”.

O mesmo artigo refere que existem 4 realidades no mundo corporativo das quais as pessoas se querem desconectar: (1) um local fixo de trabalho num escritório corporativo, (2) rotinas burocráticas e improdutivas, (3) a falta de um propósito que crie uma ligação entre a vida profissional e os significados e valores da vida pessoal e, por fim, (4) o ambiente social corporativo complexo e hierárquico que pode tornar-se fonte de ansiedade e de improdutividade.

Esta realidade é importante não só na área de recrutamento, mas também quando pensamos no desenho e cultura de uma organização.

No que respeita à utilização de novas ferramentas temos a intensificação da utilização do linked in enquanto fonte de recrutamento e de informação sobre os candidatos, assim como as restantes redes sociais.

O recurso a algoritmos e inteligência artificial para a pré-seleção é já uma realidade que permite alargar significativamente a base de recrutamento, perdendo-se, no entanto, segundo alguns especialistas, a avaliação emocional de uma entrevista.

Encontrar pessoas com um perfil ajustado e uma atitude flexível, disponíveis para aceitar a mudança, que veja nela um desafio e que tenha uma vontade permanente de aprender e empreender e que se comprometa com a estratégia/propósito organizacional é o desafio genérico do recrutamento.

 

Liderança

Se os liderados, assim como o propósito da organização e o seu ambiente interno mudam; então é obvio que o líder também tem de mudar.

O primeiro grande desafio da liderança é a compatibilização do paradigma anterior com o atual paradigma 4.0, uma vez que a rutura deve, sempre que possível, ser evitada através de uma transformação evolutiva que permita impactos sociais e financeiros positivos.

O líder é ainda responsável por comunicar “a grande ideia” sobre o propósito e futuro da organização. Deve fazê-lo de uma forma credível e motivadora que permita que cada se motive e comprometa com a organização e que, desejavelmente se exceda na entrega de valor.

A criação e desenvolvimento da cultura empresarial é também, como sabemos uma das responsabilidades de topo. Por consequência a criação de uma cultura de aprendizagem e a dinâmica de uma empresa ágil devem assumidas e coordenadas por todos os níveis de liderança.

Os desafios referidos implicam atualização ao nível dos skills de comunicação, quer pela novidade de alguns meios, quer pela criatividade e autenticidade em torno da história a contar (storytelling).

A forma de comunicar, o suporte e o desenvolvimento de atividades que ajudam a vencer obstáculos e a eliminar dificuldades, é outra das responsabilidade da liderança. Neste particular a mudança é para uma atitude de coaching, por oposição a uma atitude dirigista.

Esta mudança de estilo de liderança, em que o chefe não diz o que fazer nem apresenta um caminho fechado, antes constrói com a sua reconhecida experiência, uma visão e um caminho que pode ser enriquecido pelos outros, é um dos elementos cruciais para vencer e ser sustentável neste novo paradigma.

Aplicando metodologias de coaching, o líder coloca mais questões e ajuda a gerar opções que fazem refletir e desenvolver as pessoas e a organização, permitindo que o percurso seja em consonância com as expectativas dos colaboradores em relação ao trabalho.

O líder é um entre os outros, destacar-se-á pela sua aceitação e reconhecido valor, atenuando afirmações hierárquicas e poderes coercitivos. Temos assim o mix de poderes[2] significativamente alterado; aumentando a dominância dos poderes do líder enquanto uma referência e/ou enquanto um líder que é um especialista; por contrapartida com um líder sustentado no seu poder formal e hierárquico, que pode punir um mau desempenho.

O líder vai ter de interagir mais vezes com os colaboradores, de partilhar mais, de construir mais e de aceitar mais outras ideias. Para isso necessita de novos skills e novas ferramentas de comunicação e de partilha, onde os canvas, o design thinking e o visual thinking tem um papel determinante.

Outros dos grandes desafios é criar segurança e reduzir ansiedade quando estamos na presença de uma envolvente externa tipo VICA geradora de ansiedade e inseguranças nada produtivas para os desafios organizacionais de adaptação a esse mundo em constante mudança, pois para isso importa promover a criatividade, o empreendedorismo interno e o compromisso com o propósito da empresa.

 

Formação

Uma organização em constante mudança e adaptação implica uma constante aquisição de conhecimentos por parte dos seus colaboradores, pois a mudança implica novos desafios e novas competências. A isso se chama uma learning organization.

Desde logo, a realidade do paradigma 4.0 implica um desenvolvimento de competências habitualmente designadas de soft skills relacionadas com o comportamento humano e emocional, como a capacidade de comunicação e de partilha, a competência emocional para se entender a si mesmo e aos outros; bem como a competência social para entender o meio e a sua inserção e interação no mesmo.

O mindefulness é outras das necessidades que existe; pois essa capacidade de viver o momento e abstrair-se de todas as ideias que esta complexidade atual nos carrega no cérebro, permite-nos evitar alienações e burnout.

Por outro lado, uma atitude de mindulfullness relativamente à realidade do trabalho, faz com que possamos olhar cada momento/situação/problema sem pressupostos ou preconceitos. Como se fosse um novo olhar, e assim absorver todos os detalhes do que, entretanto mudou e nós julgávamos que conhecíamos, dando por adquirido esse conhecimento.

Nas hard skills importa desenvolver a resiliência, a resistência à frustração para lidar com o insucesso e uma atitude de gosto pela aprendizagem permanente que é o mesmo que dizer que se gosta de desafios, de crescimento intelectual e de realizações (uma atitude empreendedora) e se consegue lidar com o risco.

Do ponto de vista técnico, dada uma certa perenidade nos conhecimentos, face à já referida velocidade, existem constantemente novas necessidades de aprendizagem; por exemplo as novas ferramentas digitais de trabalho colaborativo ou a presença profissional nas redes sociais.

Esta necessidade de formação permanente, não é possível ser ministrada, na sua totalidade, pelas organizações. O que necessitamos é de motivar e transformar as pessoas para que se desenvolvam também em autoformação ao nível de ter a capacidade de mudar de profissão.

As metodologias, face aos desafios já referidos, estão a desenvolver-se na área visual e colaborativa, quer através do Design Thinking, quer do Visual Design. Estas metodologias potenciam a criatividade, a colaboração e, por serem mais intuitivas permitem a participação de colaboradores com um largo leque de competências: do empírico ao cientifico.

O recurso ao elearning a moocs, chatbots e tutoriais vai também ser uma constante.

Competências tecnológicas de código vão ser cada vez mais necessárias dada a cada vez maior intervenção da máquina. Deixamos de necessitar de saber fazer, para “fazer a máquina fazer” e controlar o seu desempenho.

[1] Termo que atualmente carateriza o trabalho independente ou de freelance.

[2] O mix de poderes que permitem a execução da liderança são: hierárquico formal, coercitivo, recompensa, de referência e de especialista. O mix de exercício do poder está relacionado com o estilo pessoal de liderança e com o contexto onde esta é exercida.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

O Paradigma 4.0 e a Longevidade das Marcas

O Paradigma 4.0 e a Longevidade das Marcas

O que designo por Paradigma 4.0 deriva da revolução industrial 4.0, originada pela conjugação das tecnologias dos sistemas de informação e pelo desenvolvimento das telecomunicações, e é composto pelo conjunto de conceitos e pressupostos que definem e permitem analisar os impactos destas tecnologias na sociedade atual.

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O que este paradigma trás à sociedade é um aumento da velocidade de praticamente tudo o que utilize, ou possa vir a utilizar, telecomunicações e grandes quantidades de informação. Marcas e suas atividades são obviamente um desses casos.

Esta velocidade tem tido o efeito positivo de acelerar de forma exponencial o crescimento das marcas recentemente criadas, que em muito curto espaço de tempo atingem a escala global, quer do ponto de vista da notoriedade, quer da sua utilização e valores associados. São disso exemplo o Facebook, o Twitter e a Uber.

Este aumento de velocidade tem também acelerado a renovação de modelos de negócio, que é o mesmo que dizer que coloca em crise, ou encurta, o tempo em que são viáveis. Estando as marcas também relacionadas com os modelos de negócio que as suportam; pode-se assim afirmar que a sua longevidade é também afetada pelo paradigma 4.0.

Como exemplo desta relação entre a longevidade das marcas e o paradigma atual, apresenta-se a Kodak e a Blackberry, que viram o seu valor ser significativamente destruído. No registo contrário, a Apple, por via da inovação e da alteração do modelo de negócio, viu o seu valor muito alavancado. Como exemplo de estabilidade refere-se a IBM que, por via da diversificação e da alteração de foco, praticamente manteve o seu valor nos últimos 17 anos, segundo a Interbrand.

Assim penso que os desafios de construção de marca passam hoje quer pela efetivação de oportunidades de crescimentos rápidos, quer também pela criação de uma marca com valores e associações amplas que permitam flexibilidade de gama e de categorias de produto, sempre que a sua natureza o permita.

  • Artigo escrito e publicado em 2018

Na ressaca da Web Summit

Na Ressaca da Web Summit

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A Web Summit começou por ser um evento praticamente consensual em Portugal, isto é, todos viam efeitos positivos, para, neste ultimo ano, e após o anúncio do acordo para mais 10 anos em Lisboa com contrapartidas financeiras significativas, gerar polémica e deixar de obter esse consenso.

Finda esta primeira realização após o estabelecimento do acordo de longo prazo, penso que é o momento de balanços e opiniões que possam melhorar e engrandecer a cimeira, Lisboa e Portugal.

Comecemos por definir o que hoje é a Web Summit. No seu site verifica-se que a comunicação se enfoca primeiramente nos keynote speakers, seguindo-se depois uns ícones que referenciam os benefícios mais importantes que se podem extrair do evento: networking, aprendizagem e exposição aos media.

Analisar os benefícios do evento, implica compreender primeiro quem são os beneficiários dos mesmos. Listaria: donos de startups, investidores, grandes empresas, estudantes, professores e ecossistema de empreendedorismo e inovação; destacando o Lisboa e de Portugal.

Se os benefícios de networking me parecem inquestionáveis para qualquer dos públicos já a aprendizagem, principalmente por via das palestras, me parece um ponto a melhorar.

Quantidade nem sempre, ou quase nunca, quer dizer qualidade e é o que me parece acontecer. Existem muitos oradores, muitos temas, mas muito pouco tempo para falar de cada um deles. Em média, cada orador ou grupos de 2/3 oradores e um mediador, dispõe de cerca de 20 minutos para apresentar e discutir as suas ideias.

Senti que, em muito casos, esta componente da aprendizagem por via de ouvir especialistas (porque também se aprende no networking) não acontece porque os temas são se aprofundam o suficiente para trazer algo de novo.

Penso que é um dos pontos a melhorar. Habitualmente nos congressos e conferencias com vários oradores o tempo habitual para cada um é de 40 minutos. Sou mais adepto deste menos e melhor.

Também me parece que dada a extensão da exposição, o tempo de percurso entre palcos é demorado o que implica perder muito tempo nestes. Talvez uma concentração das áreas de oradores fosse mais produtiva assim como uma gestão da agenda que compatibilizasse a possibilidade de ouvir oradores interessantes em diferentes palcos. Por exemplo, a App poderia, para além permitir selecionar os oradores do meu interessente, mostrar as incompatibilidades de horários e apoiar-me na decisão de escolha.

Quanto à exposição aos media, ela é indiscutível e muito benéfica para todos, mas em particular para Portugal e para o ecossistema de inovação e empreendedorismo de Lisboa.

Acrescentaria ainda que para a cultura e valores portugueses, outrora muito empreendedores (fizemos os descobrimentos), mas devido à ditadura e a um estado paternalista, hoje a necessitar de muita dinamização; este evento ajuda a criar a consciência nacional de que somos tão capazes quanto os outros e aumenta a vontade de participar.

Sou daqueles que considera a presença da Web Summit em Lisboa uma decisão muito acertada, apesar dos custos. Penso, no entanto, que existem aspetos a melhorar, como aqueles que referi assim como; face a este compromisso de longo prazo, a necessidade de existir um plano que vá melhorando e diferenciando o evento por forma a torna-lo sempre atrativo e diferenciador.

Certamente alguém na organização está a pensar nisto, fica, no entanto, a partilha das minhas reflexões.

  • Artigo escrito e publicado em 2018