A Inevitabilidade da Digitalização do Comércio

A Inevitabilidade da Digitalização do Comércio

A digitalização de todas as dimensões da sociedade tem seguido um ritmo natural de uma revolução que muda o paradigma.
É o curso da História.

Com o surgimento da pandemia COVID -19 este ritmo foi significativamente acelerado e tornou inevitável a sua adoção em certas áreas da sociedade e da economia. É esse o caso do retalho.

A inevitabilidade da adoção das tecnologias digitais é imposta pelas preferências do consumidor, a verdadeira razão ser do retalho.

Com o confinamento os consumidores aumentaram a preferência pela compra online e aumentaram o peso deste canal. Acredito que a comodidade, a variedade de produtos e serviços e a competitividade de preço apresentadas neste canal, vão tornar permanente e crescente, esta preferência.

Importa também salientar que esta realidade de confinamento também gerou outras oportunidades; entre outras, renovou o valor do comércio local e dos seus serviços, como por exemplo as entregas.

Ainda que o comércio local surja valorizado ele não pode descorar a sua conjugação com uma estratégia digital.

Uma estratégia digital de comércio tem diversos níveis e dimensões:

Pegada Digital

É a presença que permite aos consumidores encontrar o estabelecimento na internet, a sua designação, descrição genérica da oferta e os seus contactos.

Esta pegada digital, tem ela própria vários níveis. Começando pela sua presença no Google Business, a sua sinalização nos mapas e aplicações mais utilizadas para deslocação e, eventualmente, com um site pouco interativo.

Presença Relacional

Acresce à pegada digital e é composta por um site interativo, onde o consumidor pode interagir com a empresa. Normalmente é composto por um site que permite essa comunicação e pela presença em redes sociais como o Facebook e o Instagram, entre outras.

Ecommerce

Nesta fase uma loja física, tem também a possibilidade de os consumidores comprarem os seus produtos online.

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Do meu posto de vista estas dimensões são cumulativas e devem ser tomadas em conjunto.

Se é simples criar a pegada digital e até fazer um site informativo sobre um negócio e sua oferta, já uma presença relacional implica afetação de recursos e competências de forma continuada para criar e dinamizar o relacionamento com os clientes.

Mais difícil ainda é criar e desenvolver o inevitável ecommerce. Importa refletir estrategicamente sobre esta presença.

Desde logo há que pensar no sortido. O sortido a vender no canal digital, não tem obrigatoriamente de ser igual ao da loja física. Para a sua seleção deve ter-se em atenção quais os produtos mais distintivos e diferenciados que existem na loja, pois para estes existirá menos concorrência e, por consequência menos pressão sobre o preço.

Para os produtos mais genéricos importa fazer uma análise da concorrência e compreender qual o preço praticado. Nem sempre se consegue ter o preço mais competitivo. Como forma de esbater as diferenças de preço, pode-se gerir os tempos de entrega, seus custos, formas de pagamento e política de devolução.

Importa também refletir sobre as possibilidades de venda e sua comunicação.

Os produtos online podem ser vendidos em lojas próprias digitais ou em marketplaces (mercados digitais).

As lojas próprias podem estar ligadas ou dentro do site da loja ou alojadas em serviços como o dos CTT. Aqui apenas são vendidos os produtos de uma loja. Tem-se a possibilidade de manter a coerência da identidade visual da marca e o desafio de desenvolver uma estratégia de comunicação que faça com que o consumidor nos encontre.

Os marketplaces são lojas digitais de levado tráfego de consumidores, que para além dos seus produtos, vendem também produtos de terceiros. O exemplo máximo é a Amazon. Em Portugal temos a Dott, a Fnac,  a Worten e a Farfetch, entre outros.

Como numa loja física se escolhe a localização correta para atrair os clientes ajustados ao nosso negócio, também a escolha de um Marketplace, deve ser ajustada à oferta do sortido a vender.

Pode parecer um contrassenso vender produtos em lojas digitais que podem ser nossas concorrentes, mas em determinadas circunstâncias não é.

Frequentemente se adotam estratégias mistas de comercialização em lojas próprias e em marketplaces.

Não basta apenas colocar os produtos à venda, é depois necessário desenvolver uma estratégia de comunicação que passe pela divulgação e promoção no Google, Facebook e instagram.

Em suma, dar o inevitável passo para o ecommerce, como qualquer decisão estratégica de negócios, tem de ser pensado, estudado e refletido.

  • Artigo escrito e publicado em 2020

TikTok – O Novo Meio

Tik-Tok: o novo meio

O TikTok é a nova rede social. O seu crescimento é já um sucesso e indicia uma moda.

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Nunca as inovações e a criação de novos media foi tão rápida e mudou tanto como neste paradigma 4.0.

A imprensa foi criada em 1430, a rádio em 1896, a televisão em 1926, o LinkedIn e o Facebook em 2003/4 e o TikTok inicia o seu percurso em 2018, consolidando-se em Portugal em 2020. Cada vez distam menos anos entre cada invenção.

Esta síntese histórica é reveladora de várias coisas: a progressão do conhecimento e a capacidade de invenção humana, assim como a necessidade de adaptação, cada vez mais frequente, a novos meios e formas de comunicação.

O TikTok tem propósitos lúdicos e tem agregado um editor de vídeo combinado com áudio, permitindo a criação de pequenos vídeos que podem ser acelerados ou desacelerados por forma a sincronizar áudio e vídeo.

Na prática, está a ser generalizada a sua utilização para publicações de pequenos vídeos de dança, canções e trechos de humoristas. A música ou voz original é sincronizada com o vídeo da pessoa que publica. O resultado são uns vídeos divertidos; tornando-se algumas danças músicas e tiradas humorísticas, autênticos ícones que são repetidos infinitamente por muitos utilizadores.

Esta adoção de ícones chegou ao nível dos artistas, famosos e influencers; isto é, atores, músicos, humoristas e personalidades em geral, à escala mundial, adotaram estas referências para comunicar no TikTok e alavancarem a sua notoriedade.

O fenómeno revela também que a cada invenção de uma nova rede social, aumenta a informalidade e a diversão.

Os profissionais das redes sociais adotam, numa primeira instância, os critérios editoriais naturalmente criados pelos utilizadores da rede, como forma de se integrarem, mas depois, passam também a usá-la para publicarem vídeos com os seus critérios editoriais.

Quando se aborda um meio em termos profissionais, é sempre uma questão de audiência. A do TikTok é já muito apetecível, e por isso está a ser tomada por profissionais que, primeiro se adaptam e depois a transformam em função dos seus objetivos. Este apetecível fenómeno de transformação tem o risco de criar uma perceção negativa ao utilizador e de destruir o valor da imagem de quem o faz.

Vamos ver como será o futuro do TikTok e como marcas, marketeers e profissionais da comunicação geram formas criativas para comunicar através dela, evitando o risco de perverter a rede em seu favor.

A sua utilização é, a meu ver, inevitável.

  • Artigo escrito e publicado em 2020

A Aceleração do Paradigma Digital

A Aceleração do Paradigma Digital

Já há alguns anos que sabemos que este paradigma digital/4.0 é a nova normalidade e que durará até meados deste século. Contudo esta perceção não é homogénea na sociedade, nos negócios e nas diferentes geografias.

A Covid 19 veio acelerar significativamente quer as perceções, quer a compreensão e adoção desta nova normalidade.

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Vejamos algumas das acelerações e suas implicações.

Um recente estudo da McKinsey, refere que nos EUA, em 3 meses de pandemia, a penetração do comércio digital cresceu o equivalente a 10 anos de ritmo normal. Esta realidade vai, muito em breve, implicar o repensar das lojas, em termos de dimensões e funções, provavelmente dando mais evidência ao showroom e à experiência de loja e menos à transação.

A mudança da energia fóssil para a energia elétrica gerada de forma alternativa está a ser também acelerada, até porque fortemente apoiada pelas organizações governamentais, que indexam os subsídios inerentes à recuperação da crise, à adoção da sustentabilidade e do digital.

Esta realidade não só tem impacto no ambiente, como vem efetuar uma alteração estrutural na geopolítica. O Economist referia no artigo 21st Century Power a criação de uma nova ordem energética que vem determinar uma nova relação de forças entre países e regiões, uma vez que as novas fontes de energia são mais democráticas e  disponíveis de forma relativamente homogénea por todo o mundo, ao contrário do petróleo e do carvão.

A expansão e consolidação do teletrabalho é também um facto derivado desta pandemia e veio gerar a discussão sobre a importância do escritório, da sua decadência e do repensar da cultura empresarial e do trabalho em equipa.

A comunicação interna tem de repensar toda a usa estratégia geradora de contributo para o desenvolvimento da cultura organizacional e para o compromisso dos trabalhadores à luz de uma realidade cada vez menos física. Jovens admitidos em grandes empresas de serviços durante a pandemia, viram a sua integração e trabalho de meses, ser efetuado sem nunca terem ido ao escritório ou terem conhecido pessoalmente algum colega. Entrar no mundo do trabalho de esta maneira, provoca desafios grandes aos entrantes e às organizações.

Por seu lado, as marcas terão de incorporar, em todas as variáveis do marketing mix, todas estas tendências realidades e perceções.

  • Escrito e publicado em 2021

A Ajuda do Marketing em Tempos de COVID-19

A Ajuda do Marketing em tempos de COVID-19

Os últimos 2 meses em realidade de pandemia permite-nos afirmar, pela experiência tida, que as realidades de confinamento, teletrabalho e reforço de proteção por questões de saúde, vieram acelerar a implementação do paradigma 4.0, ou seja da digitalização e da disrupção.

ajuda-marketing-em-tempo-covid-19De facto, esta nova realidade implica repensar modelos de negócios, processos e métodos de trabalho, essencialmente através da incorporação das tecnologias digitais.

No passado escrevi que a incorporação desta tecnologia e a sua inerente mudança e/ou disrupção se iria efetuando no mundo empresarial, essencialmente em função da competitividade e desenvolvimento dos setores e também, da cultura da empresa. Hoje penso de forma distinta.

A envolvente externa é a razão por que penso diferente. Muitas vezes, como é o caso, o que acontece no exterior das empresas e dos setores, acelera e/ou impõe uma aceleração; neste caso num percurso que, já de si, era inevitável.

Como pode contribuir o marketing para que estas mudanças sejam as adequadas?

Desde logo o hábito da “velocidade”. No marketing, tudo se passa muito depressa, embora o contributo mais relevante seja o seu conhecimento dos clientes, suas preferências e suas jornadas. Desenhar um novo modelo de negócio ou adaptar o existente incorporando-lhe tecnologia sem a informação certa sobre quem temos de satisfazer é uma espécie de “tiro no escuro”.

A incerteza do pensamento estratégico e seus processos, é também algo a que o marketing está muito habituado, quer no planeamento de marca e portfolio, quer muitas vezes, pela sua colaboração no processo estratégico da empresa. Esta é uma realidade similar ao contexto dos processos de decisão que hoje estão na ordem do dia.

A adoção das tecnologias digitais, é também uma das realidades a que os marketers se habituaram, também aqui podem ajudar no seio da equipa interdisciplinar que deve repensar o negócio.

Importa também pensar no pós-Covid-19 e nas implicações destas mudanças.

Desde  logo, o mercado vai penalizar quem não se adaptar e não estiver disponível para um relacionamento omnichannel; por outro lado mais tecnologia origina mais dados e por isso maior capacidade de analisar eficiência e eficácia e tomar as medidas corretivas necessárias.

Por último o marketing deve potenciar este enorme benefício que é o de nos relacionarmos à distância e desmistificar que este é um processo menor e menos eficiente de nos relacionarmos. Esta é a grande oportunidade de contribuirmos, efetivamente para resolução de uma causa comum que é a sustentabilidade do planeta.

Viajar menos reduz significativamente as emissões de CO2, diminui custos e aumenta a qualidade de vida de colaboradores, clientes e sociedade em geral.

Aproveitemos a oportunidade de ouro de contribuir com um real e verdadeiro Shared Value.

  • Artigo escrito e publicado em 2020

O Novo Jornalismo, uma Oportunidade para os Media

O novo Jornalismo: uma Oportunidade para os Media

Os fluxos de informação na esfera publica sempre me interessaram, quer porque permitem um melhor conhecimento da envolvente onde os negócios se desenvolvem, quer porque permitem uma maior participação cívica.

O Novo Jornalismo, uma Oportunidade para os Media

As ultimas eleições espanholas e as eleições europeias suscitaram-me a seguinte reflexão: “As ultimas tendências no jornalismo demonstram a oportunidade de inovar na abordagem e nos conteúdos veiculados na esfera publica”.

As oportunidades de prestações de serviços como o jornalismo, devem fundar-se sempre em necessidades claras dos clientes. Hoje qualquer cidadão tem uma necessidade enorme de destrinçar qual a informação verosímil ou verdadeira, para suportar as suas decisões, opiniões e juízos de valor.

Acontece que com o crescente crescimento das “fake news” e de retóricas politicas centradas na mistificação de factos, na demagogia e na falsidade; o cidadão tem cada vez mais dificuldade em identificar essa preciosa informação.

Esta dificuldade multiplica-se quando os meios de comunicação fazem apenas uma amplificação das retóricas politicas, dando-lhes tempos de antena, sem analisar criticamente os conteúdos comunicados pelos agentes políticos.

Esta atitude amplificadora tem sido a regra na nossa comunicação social.

Já não nos serve apenas critérios democráticos de distribuição de voice share. Necessitamos de curadoria e validação de mensagens, como processo de filtração da falsidade e enviesamento da verdade.

A criação do Poligrafo SIC, do site You Check, bem como do artigo los nuevos periodistas , são exemplos  da mudança e dos desafios que este Paradigma 4.0 apresenta aos jornalistas.

A inovação de abordagem e conteúdos de que falo, é a de, através dos recursos tecnológicos existentes e da inteligência artificial, os jornalistas poderem desmontar afirmações falsas e enviesadas, confrontando os políticos/emissores com as mesmas, tão rápido quanto possível.

Esta inovação devolveria ao jornalista e a especialistas a análise e o comentário politico centrado na validação e/ou negação das mensagens proferidas; evitando assim que a análise politica se centre em avaliar qual o politico que vence, por exemplo, debates, legitimando vitórias, ainda que sustentadas em falsidades e/ou demagogia, só porque a performance comunicacional do politico A, foi melhor a do B. A comunicação é importante, mas o conteúdo é muito mais, nesta era da informação.

No fundo é pegar o Poligrafo SIC e generalizá-lo (não basta uma vez por semana, necessitamos que seja permanente), tornando-o numa atitude e/ou abordagem, que deve ter o “juízo” do jornalista, e não dar espaço aos políticos para validarem as suas próprias mensagens ou descredibilizarem as dos seus adversários.

Imagine-se um debate eleitoral onde minutos depois de uma afirmação efetuada por um politico, ainda com o debate a decorrer, passa numa frase de rodapé o veredicto do poligrafo sobre a veracidade da mesma. Seria de uma utilidade sem preço para a sociedade.

Penso que este serviço será altamente valorizado pelos cidadãos e obrigará os políticos a mudarem o seu paradigma de comunicação, sob pena de se descredibilizarem ou caírem no ridículo. Também eles precisam de efetuar a disrupção que este paradigma 4.0 implica. Talvez seja dos jornalistas a responsabilidade e oportunidade para a provocarem, ou não fossem estes, “O Quarto Poder”.

Anseio por estar recentragem da profissão do jornalismo naquela que é a sua missão mais nobre, zelar pela verdade e pela informação da esfera publica, não só na politica, mas em todas as dimensões da sociedade. Nela reside a esperança por um Mundo melhor.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Transação vs. Criação de Valor

Transição vs. Criação

Simplificando e agregando, poderemos afirmar que o marketing tem essencialmente 2 funções: apoiar e facilitar a venda (transação) e criar valor de marca através da comunicação dos seus elementos diferenciadores e relevantes.

transacao-criacao-valorAcredito que são as duas faces de uma mesma moeda, isto é, uma não poderá viver sem a outra, uma vez que o valor acrescentado por uma transação depende do valor da marca e, sem vendas, não existem recursos para criar valor de marca; para além de que as atividades de vendas e de marketing não têm, muitas vezes, uma linha bem definida e dependem do negócio e da organização.

Esta realidade sempre foi assim; a gradação de importância e os recursos afetos (mix) é que tem vindo a ser alterada, principalmente no paradigma digital.

Atualmente as atividades de marketing, quando efetuadas pelos canais digitais tem uma maior possibilidade de segmentação e de serem medidas e avaliadas de modo quantitativo, realidade que anteriormente apenas acontecia com atividades promocionais relacionadas com as vendas.

Esta evolução é positiva, e cria por um lado mais responsabilidade de resultados para os marketeers, mas por outro, mais legitimidade para utilizar recursos.

O tema sensível é uma certa tendência para passar a utilizar metodologias de avaliação que buscam uma relação direta entre investimento de criação de marca e resultados de vendas de curto prazo, ou também de uma análise de investimentos pura e dura para os investimentos de marca. Sabemos que não pode ser assim, uma vez que o nº de variáveis e a variabilidade não são compatíveis com estas tipologias de análise.

É certo que as decisões de gestão são mais acertadas e com menor risco de erro, se pudermos ter o conforto de números e análises de suporte, mas nem sempre isso é possível.

O conforto de uma decisão fundamentada quantitativamente e a pressão por resultados podem levar a que o investimento em marketing, mesmo no digital, se foque apenas na geração de transações e reduza significativamente o investimento em criação de marca, para valores marginais.

Evitar isso é um desafio que que assiste aos marketeers, nesta era digital e pragmática.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Omnichannel e o Comportamento do Consumidor

Omnichannel e o Comportamento do Consumidor

A 4ª revolução industrial originada pela conjugação da invenção do computador pessoal (PC), dos sistemas de informação e do desenvolvimento das telecomunicações, cria um novo paradigma socioeconómico que designo por paradigma 4.0.

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É relevante compreender este paradigma, uma vez que os cientistas sociais que analisam longas series de tempo, quer económicas, quer de história, referem que os paradigmas tecnológicos duram cerca de 70 anos. Como esta revolução se iniciou em 1971 (surgimento do PC), teoricamente estender-se-á até 2041, temos, portanto, ainda cerca de 25 anos de vigência deste paradigma da informação e das telecomunicações.

Esta realidade tecnológica proporcionou a capacidade para o tratamento e difusão de massivas quantidades de informação que permitiu/originou o desenvolvimento do conceito e da realidade omnichannel no retalho, o paradigma que muito provavelmente perdurará até metade deste século.

Evidentemente que esta realidade está intimamente ligada com as alterações de comportamento do consumidor, também elas originadas pelo referido paradigma tecnológico, ao nível do processo e experiência de compra.

A função do retalho é a de disponibilizar produtos e serviços, em preço, tempo, quantidade, qualidade e local, que permitam aos vários segmentos de consumidores, a satisfação das suas necessidades, proporcionando uma agradável e, de preferência, surpreendente experiencia de compra. Sintetizemos a função em satisfazer as necessidades e proporcionar uma boa experiência.

Para cumprir a missão é necessário entender o consumidor e, por consequência torna-se relevante conhecer o que mudou nos últimos tempos:

  • O cliente encontra-se em paridade de informação, isto é, tem acesso e conhece a proposta de valor, tão bem quanto o vendedor. Pode ainda aceder a ofertas concorrentes a nível mundial e compará-las entre si.
  • Dada a dinâmica social (múltiplas solicitações e falta de tempo), o cliente espera ter acesso a informação e possibilidade de compra, em todos os canais disponíveis e com preços iguais ou muito semelhantes.
  • Facilidades de entrega, quer de local quer de horário.
  • Experiência de valor acrescentado, principalmente no canal físico; isto é, a na loja.
  • Serviços de pós-venda tão eficientes quanto os de venda; por exemplo ao nível de devoluções e de reparações.
  • Imprevisibilidade de acesso aos vários canais, isto é, um comportamento de compra que não segue um padrão (ex: hoje compro online, amanhã na loja)

O omnichannel é o modelo operacional e de relacionamento com o cliente que permite ao retalhista vencer os desafios que se colocam face a um cliente em constante mudança. Para o efeito o retalhista deve possuir tecnologia, sistemas de informação, parcerias (ex.: logística e Marketplace) e competências humanas que lhe permitam gerir de forma integrada e com igual qualidade todos os canais possíveis de relacionamento com o cliente (ex: loja, site, telefone, Marketplace).

Esta área de conhecimento começa já a ser suficientemente especifica, autónoma e complexa para justificar um evento e um fórum que permita aos profissionais a partilha de conhecimento e de desafios.

Pelo exposto, é muito bem vindo o Omnichannel Retail Show.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

O Fim do Futuro e a Nova Economia

O Fim do Futuro e a Nova Economia

Os comportamentos de consumo mudaram, não apenas porque a dureza da ultima crise induziu comportamentos mais cautelosos, mas também porque deixámos de acreditar no futuro.

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Não quero com isto dizer que, de um momento para o outro, ficámos todos pessimistas; apenas que deixámos de conseguir projetar com algum grau de conforto, o que pode acontecer no futuro; facto que reforça ainda mais um comportamento cauteloso ou até conservador relativamente ao consumo.

Vários factos contribuem para esta minha opinião, o mais relevante é a edição de 12 a 18 de outubro da Revista Economist onde se analisa o nova normalidade da economia.

Nessa edição refere-se que a correlação entre inflação e emprego já não se verifica e que, por consequência, as regras de análise e projeção económica também atravessam o seu processo de reconstrução à luz do que chamo o Paradigma 4.0; ou seja as leis e regras da economia, agora dita clássica, deixaram de funcionar desde à 10 anos, é necessário reinventá-las.

Mais emprego não origina, nos dias de hoje, um aumento de consumo que faça crescer a inflação. Em minha opinião, porque o comportamento de consumo mudou. Nem mesmo com a conjugação de juros baixos, pois um empréstimo implica confiança e perceção positiva sobre o futuro, no caso de uma tomada de decisão responsável.

É esta impossibilidade de projetar o que quer que seja sobre o futuro, dado o mundo VICA/VUCA em que vivemos que altera o comportamento de consumidores, organizações e entidades politicas e origina, por exemplo, níveis de poupança incrivelmente altos como o alemão e um crescimento anémico apesar de politicas como o quantitative easing.

Como reflexão, penso que a dinamização e o crescimento da economia não se farão mais segundo as regras anteriores porque o risco e a incerteza sobre o futuro aumentaram drasticamente. Assim apenas medidas que impliquem um risco baixo poderão dinamizar consumo e investimento.

Como não podemos mudar o contexto e a consequente perceção sobre o futuro, talvez medidas claras com impacto no presente, como a redução de impostos, que origina um aumento real e imediato do poder de compra e do cash-flow , possa ser um outro caminho para a crescimento e bem estar.

Têm os economistas e os políticos um grande desafio 4.0 pela frente.

Recomendo a leitura dos artigos da referida revista.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

O Alargamento das Funções da Marca

O Alargamento das Funções da Marca

As alterações e disrupções que este novo paradigma 4.0 nos tem trazido, não poderiam deixar de afetar a marca. Em minha opinião, afetaram no sentido positivo, pois estenderam as suas funções.

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Tradicionalmente as funções de uma marca são: na ótica do consumidor, a de informar sobre a proposta de valor (benefícios tangíveis e associações) que esta contém e, na ótica da empresa, a de um ativo que permite diferenciação e relevância junto dos stakeholders e, por consequência, alavanca valor.

As redes sociais e a comunicação digital alteraram não só o mix de comunicação das marcas, mas também a forma como estas comunicam e o tipo de conteúdos que comunicam.

As mensagens continuam a ser em torno das funções que referi acima, contudo a comunicação biunívoca que confere “novos poderes” aos consumidores, origina a necessidade de passar a mensagem de uma forma muito distinta da tradicional publicidade.

Hoje aceita-se cada vez menos a comunicação em que as marcas falam sempre de si, construindo o seu universo, tornando-se sexy (pensam elas) para os stakeholders.

Esta realidade levou a estratégias de comunicação que alargaram as funções da marca. Porque a marca tem de comunicar subtilmente dentro de conteúdos (narrativas) que são relevantes para os stakeholders e para a sociedade em geral. Cria-se assim o marketing de conteúdos.

A marca passou a ter uma função educativa e social, pois esses conteúdos são frequentemente conhecimento e a marca partilha ainda os seus recursos com causas que considera importantes ajudar a resolver.

A marca deixou assim de ser apenas sexy e passou a ser mais humana, tornou-se mais profunda e complexa; isto é, a atratividade deixou de ser apenas supérflua, para passar a ter um sentido, um propósito de contribuir para um mundo melhor (muito temas contribuem para um mundo melhor: desde reduzir o plástico à arte, entre outros).

Se as marcas não atenderem a estas novas funções, “envelhecem” e podem mesmo por em risco a sua existência.

  • Artigo escrito e publicado em 2019

Impactos da Digitalização no Retalho

Impactos da Digitalização do Retalho

Hoje vivemos a era da Revolução 4.0 e praticamente todas as tendências de evolução futura dos negócios têm a sua origem nas tecnologias que a provocaram: os sistemas de informação e as telecomunicações.

Estas tecnologias alteraram significativamente a velocidade de mudança, e aumentaram a complexidade de todas as dimensões da Sociedade.

A relevância desta realidade prende-se com o facto de a mesma configurar um paradigma (conjunto de premissas base que determinam o desenvolvimento socioeconómico) que se estenderá até 2041. Segundo os economistas que estudam os ciclos longos da economia (Ondas de Kondratiev) este paradigma tem essa “esperança de vida”.

Assim importa compreender os seus impactos, para que possamos continuar a inovar, adaptar e modificar as realidades do retalho em conformidade com as necessidades dos clientes e do seu modo de vida.

Segundo Klaus Schwab, este paradigma a origina a emergência de tecnologias derivadas das anteriores,  sintetizadas na figura 1, que impactarão seguramente o retalho. Por exemplo, as impressoras 3D, permitirão uma personalização de produtos que até aqui não seria possível; assim como a inteligência artificial, irá originar alterações na tomada de decisões, automatizando-as e permitindo muito mais comparações.

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Figura 1

A análise destes impactos pode ser efetuada através das variáveis do retail mix: sortido de mercadoria, publicidade e promoção, layout e design de loja, atendimento e serviço ao consumidor, localização e preço.

Na figura 2, apresenta-se uma síntese dos impactos provocados no retalho. Não se trata de uma listagem exaustiva, mas sim das que considero mais significativas. Estas podem servir de inspiração, para que cada um, gere ideias dos impactos mais ajustados ao seu negócio.

 

impactos-digitalizacao-retalhoFigura 2

 

Estas consequências devem ser encaradas como oportunidades de melhoria e não como ameaças aos atuais modelos de negócio.

Esta forma de encarar a mudança e evolução dos negócios tem essencialmente que ver com a atitude com que se aborda o tema, isto é, devemos observar as alterações como desafios para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos negócios. Se tivermos uma atitude conservadora de quem deseja que nada mude, então vamos observar a mudança como uma ameaça, um incómodo que contraria o nosso desejo.

Em conclusão a maior transformação que a digitalização provoca no retalho é, mais propriamente, no retalhista que terá de encarar o negócio como uma atividade altamente dinâmica e de mudança, que vai implicar uma concentração e lucidez permanente no entendimento da sociedade em geral e dos mercados e consumidores em particular.

  • Artigo escrito e publicado em 2019