De Novo Pepsi, Coca-Cola e Futebol

De novo, Pepsi, Coca-Cola e Futebol

Quando a Pepsi Suécia desenvolveu a campanha ligada ao jogo de futebol Suécia – Portugal com imagens de um boneco vestido com as cores da seleção portuguesa, foi unânime o reconhecimento do erro e a destruição de valor que a mesma provocou, inclusive pela própria Pepsi.

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Apesar do pedido de desculpas à seleção nacional, a Ronaldo e aos portugueses, é também consensual, que se tratou da ação de relações públicas possível, mas não da resolução do problema. A marca não conseguiu apresentar um racional aceitável para o sucedido, apenas “salvou a face”.

Não tendo ficado satisfeita, a Pepsi continuou na busca de uma solução, profunda e genuína, capaz de reparar “os estragos feitos”. Ao acordar com Ronaldo a possibilidade de colaboração com a marca, a Pepsi deu agora um exemplo de criatividade e genuidade que resolve o problema de forma exemplar. A marca e Ronaldo envolveram-se num projeto solidário de recuperação da Casa dos Rapazes. A ação mostra, a visão estratégica inerente a uma preocupação genuína de querer resolver corretamente e definitivamente o assunto, ter boas relações com o ícone da seleção portuguesa e, por consequência o praticamente irrefutável perdão dos consumidores. Ronaldo, ao aceitar, mostra a “grandeza” exemplar de valores, que um ídolo deve ter, bem como uma preocupação social.

Este envolvimento biunívoco da marca e de Ronaldo, ligado a uma causa social, gera as perceções e emoções que resolvem de forma brilhante a questão.

A Coca-Cola desenvolveu uma ação de marketing relacional com uma originalidade e um alcance, que merece análise. A marca converteu um camarote do Estádio da Luz; normalmente destinado aos executivos e clientes de topo, numa camarata para jovens adeptos do Benfica. A Coca-Cola revela assim um entendimento social interclassista, por oposição a uma sociedade fechada e elitista. Este posicionamento traduz-se na perceção ao consumidor de tornar acessível o que outrora era inacessível, passando a ideia de “máquina de sonhos” e alargando a base de consumidores que assim se relacionam com a marca e com o clube.

Parabéns a ambas as marcas.

O Envolvimento dos Colaboradores e o Valor de Marca

O Envolvimento dos Colaboradores e o Valor de Marca

Estudos recentes, quer a académicos, quer das mais reputadas consultoras, vem demonstrar a relevância do envolvimento dos colaboradores para o cumprimento da missão da empresa. O mesmo se poderá dizer para a execução da estratégia e para a criação de valor das marcas.

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Hoje a procura de produtividade e valor para marcas e organizações não pode apenas centrar-se na eficiência dos processos e na inovação. As vantagens competitivas obtidas por essa via são cada vez menos sustentáveis no tempo, porque são facilmente copiáveis. Mesmo a inovação, não dura mais de um par de anos, no limite.

Não é novidade que o elemento mais difícil de copiar, senão impossível, são os recursos humanos observados na ótica que envolve desde as suas competências e conhecimento até à forma como se organizam e executam a liderança.

O que é novidade são os resultados recentes de um estudo da consultora Gallup em que: apenas 30% dos recursos humanos estão verdadeiramente comprometidos com as suas empresas e/ou marcas, 50% cumprem o que lhes é pedido mas sem proatividade e 20% estão desligados do projeto ou “remam mesmo contra a maré”.

Estes factos indiciam um potencial produtividade e valor muito significativo, caso consigamos fazer com que cerca de 70% dos recursos humanos aumentem o seu envolvimento com o projeto empresarial e/ou de marca da organização onde estão inseridos.

O foco está portanto no marketing interno. Este é um dos mais interessantes desafios para 2015 e onde a relação/custo beneficio do esforço e recursos aplicados, será certamente das mais produtivas.

Revista do Expresso, uma excelente renovação

Revista do Expresso: uma excelente renovação

Foi com algum ceticismo que abri a nova revista do Expresso pois quando olhei para o novo formato (maior) lembrou-me o antigo formato do expresso que era enorme e incómodo. Quando a abri, o ceticismo continuou, pois voltou ao papel de jornal que havia abandonado, não sei dizer há quanto tempo, mas penso que, pelo menos, há 20 anos.

Mal comecei a leitura, a cada página que folheava, o ceticismo esfumou-se, pois a seleção de temas, a qualidade e profundidade dos artigos apresenta uma qualidade indiscutível.

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Não sei, se por o formato físico e editorial ser parecido com a revista do Expresso da minha juventude; se porque a concentração do anterior suplemento “Atual” nesta revista ser mais conveniente (provavelmente pelas duas razões), gosto mais desta nova revista.

Esta é novamente uma revista para uma semana, isto é, para ir lendo ao longo da semana. No passado quando tinha formato idêntico, tanto quanto me lembro, começou a dizer-se que não se tinha tempo nem pachorra para um jornal tão grande. Alguns até o passaram a intitular de Espesso, em vez de Expresso.

A verdade é que me agrada este jornalismo de fundo que nos informa e nos traz visões e temas novos e surpreendentes, como o dos Bitcoins e a abordagem diferenciada à carreira de Churchill.

O nível de partida é de muita qualidade. Acredito que não vai maçar mas sim continuar a surpreender como tem acontecido com os recentes projetos do Expresso, do qual o diário online é um exemplo.

Parabéns a toda a Equipa. Aguardo a da próxima semana enquanto vou lendo esta.

Portugal Sobe 15 Posições no Índice de Competitividade Global

Portugal Sobe 15 Posições no Índice de Competitividade Global

World Economic Forum analisa regularmente o índice de competitividade global dos países. Os resultados são habitualmente divulgados por altura de conferência de Davos, a decorrer de 21 a 24 deste mês.

O relatório deste ano apresenta excelentes resultados para Portugal, que atinge o 36º lugar, subindo 15 posições face ao relatório anterior.

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Os pilares ou constructos que compõem o índice são 12:

  1. instituições
  2. infraestruturas
  3. ambiente macroeconómico
  4. saúde e educação primária
  5. educação superior e formação
  6. eficiência dos mercados
  7. eficiência do mercado de trabalho
  8. desenvolvimento dos mercados financeiros
  9. facilidades tecnológicas
  10. dimensão do mercado
  11. sofisticação dos negócios
  12. inovação.

O relatório compara Portugal com as economias ditas de “avançadas” num diagrama de estrela. Da sua análise verifica-se que os pilares onde as melhorias são mais necessárias para melhorar o índice são o ambiente macroeconómico e o desenvolvimento dos mercados financeiros.

O ambiente macroeconómico é composto por vários indicadores, sendo que os de pior performance são o saldo orçamental do governo como percentagem do PIB e o nível de poupanças.

Relativamente ao desenvolvimento dos mercados financeiros, os indicadores de pior performance são a facilidade de acesso a empréstimos e a disponibilidade de venture capital.

Apesar da boa noticia, importa atender às áreas de melhoria, ou seja à reforma do estado e sua consequente redução orçamental que induzirá por via de uma redução de impostos, o aumento da poupança. Nos mercados financeiros necessitamos de uma banca mais dinâmica e do surgimento de venture capitals.

Os índices e rankings são, como sabemos, subjetivos e devem ser analisados criticamente. Contudo penso que este índice de competitividade global pode gerar insights para que Portugal continue a melhorar.

Thomas Piketty e as Marcas

Thomas Piketty e as Marcas

Thomas Piketty, autor do livro Capital no Século XXI deu uma conferência na Fundação Calouste Gulbenkian no passado dia 27 de Abril de 205. Ao assistir a essa conferência iniciei uma reflexão, sobre as implicações que as conclusões do autor poderão ter no universo das marcas.

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Das conclusões do autor destaca-se que a taxa de retorno do capital é superior à taxa de crescimento da economia e à taxa de crescimento dos rendimentos do trabalho.

Tal facto tem várias implicações na economia, das quais se salienta: A riqueza acumulada cresce mais rapidamente que a economia e quem vive apenas do rendimento do trabalho, não pode esperar um grande crescimento da sua riqueza; a menos que esteja em posições extremamente bem pagas.

Por outras palavras, a desigualdade social tem-se acentuado nos últimos tempos e a classe média é muito penalizada, pois vive essencialmente do seu trabalho.

Esta constatação, não é determinística, isto é, não quer dizer que o futuro seja um acentuar da desigualdade nem que seja uma redução natural da mesma. O futuro depende das decisões que forem tomadas relativamente ao papel do Estado na redistribuição de riqueza.

(Para uma melhor e mais profunda compreensão, ver: http://goo.gl/UEM1UY e http://goo.gl/rc4UJj).

As marcas, são uma forma de obtenção do rendimento do capital, quer pelas vendas que geram, quer pelo valor enquanto ativo intangível.

Como primeira implicação, estamos perante uma evidência da necessidade das marcas desenvolverem atividades de responsabilidade social ou de marketing social, enquanto forma de partilhar parte desse valor, conforme Michael Porter refere no seu artigo Shared Value.

Como segunda evidência tem-se que as decisões sobre a redistribuição de riqueza, tem uma implicação no posicionamento das marcas. Uma vez que a classe média é o principal universo para o desenvolvimento de marcas. Num cenário de manutenção ou desenvolvimento das desigualdades, estaremos perante um mercado com os dois extremos: marcas de luxo e marcas de discount.

Como sempre, os desenvolvimentos socioeconómicos, tem de ser alvo de apurada atenção por parte dos marketeers.

O Poder das Marcas

O Poder das Marcas

O economista Moisés Naím afirmou na sua intervenção nas Conferências do Estoril que os poderes existentes e exercidos na Sociedade estão a reduzir-se e a sofrer alterações.

O autor do livro O Fim do Poder afirma que os poderes atuais são:

  1. mais fáceis de conquistar
  2. mais difíceis de usar
  3. mais difíceis de manter.

Refletindo ao nível das marcas, como se tem alterado o seu poder?

Antes de mais importa delimitar o conceito de poder de marca. Do meu ponto de vista o poder de uma marca traduz-se na sua capacidade de gerar valor por via de transações e de imagem de marca junto do consumidor. Isto é, uma marca é tanto mais poderosa quanto a sua capacidade de gerar vendas, de preferência a um preço superior ao da concorrência, e a sua capacidade de permanecer na memória dos stakeholders através de associações positivas.

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De facto, nesta era digital:

  1. é mais fácil e mais rápida a criação de marcas, vejamos os exemplos da Google e do Facebook
  2. é mais complexa a criação e extração de valor de uma marca, uma vez que a sua presença tem de ser omnipresente
  3. é mais difícil de manter o valor de uma marca porque as oportunidades são mais efémeras e a concorrência mais intensa.

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Penso, pelo exposto, que as marcas tem mais oportunidades para gerar valor e, por consequência tornam-se mais fortes e poderosas mas, por outro lado, vêm a sua posição vulnerabilizada pela volatilidade das preferências e tendências sociais e pela competitividade dos mercados. A título de exemplo, recorde-se a evolução da relevância da Yahoo e a recente extinção das marcas Optimus e BES.

Hoje é mais fácil criar marcas, mas o desafio para as manter é maior e mais difícil.

Os Algoritmos e a Comunicação

Os Algoritmos e a Comunicação

É conhecida a importância crescente que o meio digital tem vindo a assumir, quer do ponto de vista das marcas de media tradicional, quer pelas oportunidades que cria nos indivíduos para produzirem as suas próprias noticias. Se por um lado este facto diversifica as fontes de informação e de opinião, por outro cria quantidades massivas de informação difícil, senão impossível, de analisar.

As empresas e organizações resolveram esse problema através de sistemas de informação muito desenvolvidos ancorados no conceito de big data. Os consumidores têm de confiar nos algoritmos para esse efeito.

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Os algoritmos facilitam a vida das pessoas, pois se não existissem, por exemplo quando abrimos o Facebook, teríamos cerca de 1.500 feeds para visualizar. Todos os motores de busca e os feeds de redes sociais como o Facebook e o Twitter utilizam algoritmos para selecionarem a informação que nos é mostrada.

Embora sejam úteis e efetuados com base nas nossas preferências passadas, como se pode ver neste exemplo da Google, não deixa de ser um processo automático, que de certa forma condiciona o que vimos e, por consequência o que pensamos.

Estes automatismos têm a utilidade referida, mas por outro lado contêm em si o poder de condicionar o que vemos enquanto indivíduos e o alcance do que publicamos enquanto gestores de marcas.

Talvez o futuro esteja na possibilidade de cada um desenvolver o seu próprio algoritmo definindo, temas de interesse, palavras-chave e fontes de informação, entre outras variáveis.

Está orfã, a ciência em Portugal

Está órfã, a ciência em Portugal

Está orfã, a ciência em Portugal. Foi esta a sensação com que fiquei ao ouvir os discursos efetuados no lançamento do livro “40 Anos de Políticas de Ciência e Ensino Superior” de Maria de Lurdes Rodrigues e Manuel Heitor, hoje no auditório principal do ISCTE-IUL.

 

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O livro foi apresentado por José Pacheco Pereira, com a presença, óbvia, dos autores e das mais relevantes instituições do sistema de ensino português[1]1. Simultaneamente, o evento e o livro, constituem uma homenagem a José Mariano Gago.

Esta orfandade deriva da morte do homenageado, a 17Abr15, pois segundo os vários oradores, o sistema científico e de ensino superior, bem como a sua dinâmica deve-se, essencialmente, às ideias de José Mariano Gago e à sua capacidade para as discutir e conjugar esforços para as concretizar.

Com a extinção, na atual legislatura, do ministério que tutelava, com a sua morte e com os cortes orçamentais operados na área, o sistema cientifico ficou estagnado e sem uma visão de futuro.

O livro apresentado compila o percurso evolutivo da ciência e do ensino superior nos últimos 40 anos, contribuindo assim para a definição do caminho futuro.

Trata-se de um contributo científico muito relevante e oportuno, pois a ciência é a grande base da inovação e esta, um dos grandes drivers de desenvolvimento da sociedade.

A oportunidade surge do atual fundo europeu de desenvolvimento regional, onde a investigação e a inovação são pilares fundamentais. As responsabilidades de Portugal nesta matéria são ainda reforçadas pelo facto de o comissário da investigação, inovação e ciência ser português.

Urge, como diria Mariano Gago, manter a corrente continua que alimenta a ciência e evitar que alguém a interrompa, que é o mesmo que dizer, importa discutir o futuro da ciência e do ensino superior face aos atuais desafios.

CNE, CRUP, CCISP, APESP, CLA, A3ES, ABRIC, SNESup, SPGL e Federação Académica de Lisboa.

  • Artigo escrito em 2015

References

References
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Silly Season? Not so Silly

Silly Season? Not so Silly

Este período de Verão costuma ser parco em acontecimentos e noticias, quer do ponto de vista social e político, quer económico e empresarial (exceção feita às bebidas e outros produtos de elevada sazonalidade de verão; onde a atividade das marcas atinge o seu pico máximo). Essa é a razão pela qual os ingleses denominaram este período de silly season.

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Vejamos alguns exemplos que ilustram esta minha afirmação. Do ponto de vista político e social tem surgido um conjunto de noticias de valor apreciável e, do ponto de vista das marcas, temos como exemplos o lançamento dos Pokémon Go os Jogos Olímpicos, o festival MEO SW e ainda o crescimento do Branded Content aqui ilustrado pela aposta da marca angolana Speed.

Mais uma vez a justificação da mudança  cai no paradigma da era digital, que nos ligou e interligou de forma continua, independentemente de férias e de horários e tudo acelerou aumentando o grau de exigência de empresas e colaboradores.

Hoje não nos podemos permitir entrar em época silly, pois pode ser nesse tempo que surge a oportunidade que esperávamos para nós, para a nossa empresa ou para as nossas marcas.

O desafio está assim na gestão de equipas e suas energias, por forma a que tudo isto possa ser efetuado de forma sã e equilibrada.

Boa Férias, But not Silly