Thomas Piketty e as Marcas

Thomas Piketty e as Marcas

Thomas Piketty, autor do livro Capital no Século XXI deu uma conferência na Fundação Calouste Gulbenkian no passado dia 27 de Abril de 205. Ao assistir a essa conferência iniciei uma reflexão, sobre as implicações que as conclusões do autor poderão ter no universo das marcas.

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Das conclusões do autor destaca-se que a taxa de retorno do capital é superior à taxa de crescimento da economia e à taxa de crescimento dos rendimentos do trabalho.

Tal facto tem várias implicações na economia, das quais se salienta: A riqueza acumulada cresce mais rapidamente que a economia e quem vive apenas do rendimento do trabalho, não pode esperar um grande crescimento da sua riqueza; a menos que esteja em posições extremamente bem pagas.

Por outras palavras, a desigualdade social tem-se acentuado nos últimos tempos e a classe média é muito penalizada, pois vive essencialmente do seu trabalho.

Esta constatação, não é determinística, isto é, não quer dizer que o futuro seja um acentuar da desigualdade nem que seja uma redução natural da mesma. O futuro depende das decisões que forem tomadas relativamente ao papel do Estado na redistribuição de riqueza.

(Para uma melhor e mais profunda compreensão, ver: http://goo.gl/UEM1UY e http://goo.gl/rc4UJj).

As marcas, são uma forma de obtenção do rendimento do capital, quer pelas vendas que geram, quer pelo valor enquanto ativo intangível.

Como primeira implicação, estamos perante uma evidência da necessidade das marcas desenvolverem atividades de responsabilidade social ou de marketing social, enquanto forma de partilhar parte desse valor, conforme Michael Porter refere no seu artigo Shared Value.

Como segunda evidência tem-se que as decisões sobre a redistribuição de riqueza, tem uma implicação no posicionamento das marcas. Uma vez que a classe média é o principal universo para o desenvolvimento de marcas. Num cenário de manutenção ou desenvolvimento das desigualdades, estaremos perante um mercado com os dois extremos: marcas de luxo e marcas de discount.

Como sempre, os desenvolvimentos socioeconómicos, tem de ser alvo de apurada atenção por parte dos marketeers.

O Poder das Marcas

O Poder das Marcas

O economista Moisés Naím afirmou na sua intervenção nas Conferências do Estoril que os poderes existentes e exercidos na Sociedade estão a reduzir-se e a sofrer alterações.

O autor do livro O Fim do Poder afirma que os poderes atuais são:

  1. mais fáceis de conquistar
  2. mais difíceis de usar
  3. mais difíceis de manter.

Refletindo ao nível das marcas, como se tem alterado o seu poder?

Antes de mais importa delimitar o conceito de poder de marca. Do meu ponto de vista o poder de uma marca traduz-se na sua capacidade de gerar valor por via de transações e de imagem de marca junto do consumidor. Isto é, uma marca é tanto mais poderosa quanto a sua capacidade de gerar vendas, de preferência a um preço superior ao da concorrência, e a sua capacidade de permanecer na memória dos stakeholders através de associações positivas.

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De facto, nesta era digital:

  1. é mais fácil e mais rápida a criação de marcas, vejamos os exemplos da Google e do Facebook
  2. é mais complexa a criação e extração de valor de uma marca, uma vez que a sua presença tem de ser omnipresente
  3. é mais difícil de manter o valor de uma marca porque as oportunidades são mais efémeras e a concorrência mais intensa.

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Penso, pelo exposto, que as marcas tem mais oportunidades para gerar valor e, por consequência tornam-se mais fortes e poderosas mas, por outro lado, vêm a sua posição vulnerabilizada pela volatilidade das preferências e tendências sociais e pela competitividade dos mercados. A título de exemplo, recorde-se a evolução da relevância da Yahoo e a recente extinção das marcas Optimus e BES.

Hoje é mais fácil criar marcas, mas o desafio para as manter é maior e mais difícil.

Os Algoritmos e a Comunicação

Os Algoritmos e a Comunicação

É conhecida a importância crescente que o meio digital tem vindo a assumir, quer do ponto de vista das marcas de media tradicional, quer pelas oportunidades que cria nos indivíduos para produzirem as suas próprias noticias. Se por um lado este facto diversifica as fontes de informação e de opinião, por outro cria quantidades massivas de informação difícil, senão impossível, de analisar.

As empresas e organizações resolveram esse problema através de sistemas de informação muito desenvolvidos ancorados no conceito de big data. Os consumidores têm de confiar nos algoritmos para esse efeito.

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Os algoritmos facilitam a vida das pessoas, pois se não existissem, por exemplo quando abrimos o Facebook, teríamos cerca de 1.500 feeds para visualizar. Todos os motores de busca e os feeds de redes sociais como o Facebook e o Twitter utilizam algoritmos para selecionarem a informação que nos é mostrada.

Embora sejam úteis e efetuados com base nas nossas preferências passadas, como se pode ver neste exemplo da Google, não deixa de ser um processo automático, que de certa forma condiciona o que vimos e, por consequência o que pensamos.

Estes automatismos têm a utilidade referida, mas por outro lado contêm em si o poder de condicionar o que vemos enquanto indivíduos e o alcance do que publicamos enquanto gestores de marcas.

Talvez o futuro esteja na possibilidade de cada um desenvolver o seu próprio algoritmo definindo, temas de interesse, palavras-chave e fontes de informação, entre outras variáveis.

Está orfã, a ciência em Portugal

Está órfã, a ciência em Portugal

Está orfã, a ciência em Portugal. Foi esta a sensação com que fiquei ao ouvir os discursos efetuados no lançamento do livro “40 Anos de Políticas de Ciência e Ensino Superior” de Maria de Lurdes Rodrigues e Manuel Heitor, hoje no auditório principal do ISCTE-IUL.

 

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O livro foi apresentado por José Pacheco Pereira, com a presença, óbvia, dos autores e das mais relevantes instituições do sistema de ensino português[1]1. Simultaneamente, o evento e o livro, constituem uma homenagem a José Mariano Gago.

Esta orfandade deriva da morte do homenageado, a 17Abr15, pois segundo os vários oradores, o sistema científico e de ensino superior, bem como a sua dinâmica deve-se, essencialmente, às ideias de José Mariano Gago e à sua capacidade para as discutir e conjugar esforços para as concretizar.

Com a extinção, na atual legislatura, do ministério que tutelava, com a sua morte e com os cortes orçamentais operados na área, o sistema cientifico ficou estagnado e sem uma visão de futuro.

O livro apresentado compila o percurso evolutivo da ciência e do ensino superior nos últimos 40 anos, contribuindo assim para a definição do caminho futuro.

Trata-se de um contributo científico muito relevante e oportuno, pois a ciência é a grande base da inovação e esta, um dos grandes drivers de desenvolvimento da sociedade.

A oportunidade surge do atual fundo europeu de desenvolvimento regional, onde a investigação e a inovação são pilares fundamentais. As responsabilidades de Portugal nesta matéria são ainda reforçadas pelo facto de o comissário da investigação, inovação e ciência ser português.

Urge, como diria Mariano Gago, manter a corrente continua que alimenta a ciência e evitar que alguém a interrompa, que é o mesmo que dizer, importa discutir o futuro da ciência e do ensino superior face aos atuais desafios.

CNE, CRUP, CCISP, APESP, CLA, A3ES, ABRIC, SNESup, SPGL e Federação Académica de Lisboa.

  • Artigo escrito em 2015

References

References
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Silly Season? Not so Silly

Silly Season? Not so Silly

Este período de Verão costuma ser parco em acontecimentos e noticias, quer do ponto de vista social e político, quer económico e empresarial (exceção feita às bebidas e outros produtos de elevada sazonalidade de verão; onde a atividade das marcas atinge o seu pico máximo). Essa é a razão pela qual os ingleses denominaram este período de silly season.

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Vejamos alguns exemplos que ilustram esta minha afirmação. Do ponto de vista político e social tem surgido um conjunto de noticias de valor apreciável e, do ponto de vista das marcas, temos como exemplos o lançamento dos Pokémon Go os Jogos Olímpicos, o festival MEO SW e ainda o crescimento do Branded Content aqui ilustrado pela aposta da marca angolana Speed.

Mais uma vez a justificação da mudança  cai no paradigma da era digital, que nos ligou e interligou de forma continua, independentemente de férias e de horários e tudo acelerou aumentando o grau de exigência de empresas e colaboradores.

Hoje não nos podemos permitir entrar em época silly, pois pode ser nesse tempo que surge a oportunidade que esperávamos para nós, para a nossa empresa ou para as nossas marcas.

O desafio está assim na gestão de equipas e suas energias, por forma a que tudo isto possa ser efetuado de forma sã e equilibrada.

Boa Férias, But not Silly