Fragmentos dos Tempos que Vivemos

Fragmentos dos Tempos em que Vivemos

Os tempos que vivemos são profícuos em mudanças rápidas, mais ou menos fraturantes, e têm percorrido o caminho previsto por Klaus Schwab no seu livro a 4ª revolução industrial.

fragmentos-tempos-vivemos

Nele, o autor, refere que irão emergir e/ou consolidar-se tecnologias derivadas das anteriormente existentes, que provocarão profundas alterações socio económicas.

Falamos de disrupções como as novas vacinas criadas com uma tecnologia, até aqui experimental, e que agora passa a ser a nova realidade que provavelmente alterará o negócio farmacêutico e a medicina.

Falamos também, da cada vez maior digitalização dos negócios que vem mudar os seus modelos e, por consequência, o modo como trabalhamos, lideramos e socializamos no trabalho; assim como da real perceção da necessidade de criar uma irreversível tendência de proteger o planeta e diminuir as desigualdades.

O mesmo autor, no seu livro Reset, refere que está pandemia obriga mesmo a alterações que são oportunidades e necessidades para resolver estes problemas.

A palavra fragmentos, no título deste artigo, deriva da vontade de partilhar algumas leituras, que não têm entre si um fio condutor que não seja os tempos que vivemos, embora tenham uma relação direta com o que a realidade descrita acima, provoca nos negócios.

Assim:

Em termos de Comunicação, a Vodafone assumiu um novo posicionamento “Together We Can” onde, claramente vê o futuro através de uma simbiose entre homem e máquina ou tecnologia. Só assim poderemos viver e resolver problemas globais como a sustentabilidade do planeta e a desigualdade. A marca volta a surpreender com a sua inovação e desafrontadamente, assume a tecnologia como parceira indispensável e não como uma causadora de problemas socioeconómicos.

Outro exemplo de adaptação da comunicação às preocupações globais é o da Unilever relativamente à inclusão. A marca aboliu a palavra normal (muito ligada a estereótipos) da sua comunicação, passando a utilizar o conceito de beleza positiva e um compromisso para uma vida melhor.

Em termos de Proposta de Valor, verificamos que o valor do produto se reduziu significativamente, não permitindo mais uma organização e lógica de portefólio industrial, uma vez que o consumidor passou a valorizar muito os serviços conexos e a marca enquanto entidade que contribui para a resolução dos grandes problemas da humanidade, tendo-se convertendo a ideia de missão na ideia de propósito. Um bom exemplo são os serviços instant ink da HP onde o cliente deixa de se preocupar com os consumíveis.

No que respeita à Distribuição assistimos a um crescimento importante da relação one-to-one das grandes marcas. Segundo a Economist, a Nike tem uma aposta clara de vendas e relacionamento no canal digital direto.

Este exemplo revela que a estrutura de distribuição está a ser repensada, existe uma desintermediação e o papel da loja vai ser no futuro muito diferente do que é hoje; pois também se sabe que nenhuma marca quer perder um touch point tão rico e privilegiado com os seus consumidores.

Surpreendente também é que a Netflix esteja, segundo a Economist, a contribuir para a verdadeira criação de uma cultura europeia. Outrora catalogada como uma ameaça para os canais de televisão (não deixou de o ser), hoje os seus conteúdos têm um efeito muito positivo, dado o seu contributo agregador único.

Nenhum canal de televisão tem uma audiência europeia como a Netflix têm, fazendo com que toda a Europa esteja a ver a mesmas series com temas, produções e localizações feitos cá.

Muito está a acontecer, e depressa; exigindo de nós atenção, informação e adaptação.

Compras e Sustentabilidade

Compras e Sustentabilidade

compras-sustentabilidade

Muito se tem falado da consolidação do crescimento e da importância do canal digital; contudo alterações de consumo baseados em comportamentos, fundados em um novo sistema de valores, está a surgir.

A consciência de que todos temos de contribuir para a sustentabilidade do planeta, é outra das heranças positivas desta pandemia. Toda a sociedade tomou essa consciência e está a adaptar o seu modo de vida por forma não só a evitar a destruição, mas também a tentar contribuir para a recuperação do planeta.

Desde à muito que esta temática é recorrente nas várias vertentes sociais, da arte à cultura, passando pela economia onde os agentes económicos apelidaram o seu contributo de responsabilidade social corporativa. Na verdade, embora na maioria dos casos todas estas ações tenham sido positivas, nenhuma conseguiu um verdadeiro volte face na destruição do planeta.

Em minha opinião, porque, os princípios e valores da sociedade de consumo são incompatíveis ou mesmo inversamente proporcionais à sustentabilidade. Isto é, as ideias de posse, da última moda e de estatuto e satisfação por via do materialismo, não são sustentáveis, embora sejam o motor do crescimento económico.

Nem sempre foi assim e, tem de deixar de ser assim. Todos nos lembramos da durabilidade que os bens tinham antes de a obsolescência programada ser uma prática generalizada e socialmente aceite e de se criarem as narrativas consumistas.

As marcas já perceberam a inevitabilidade dessa mudança. O mais recente anúncio da Levi’s sobre o lema “compra melhor, usa-o mais tempo” é um exemplo paradigmático. A marca apela a que se use a roupa durante mais tempo a fim de evitar o desperdício. Trata-se de um ato de coragem e de inovação, que seguramente dará os seus frutos em termos de valor de marca e a sua queda em termos de vendas globais.

Por outro lado, um artigo cientifico publicado no Journal of Marketing com o título, “Buy less, buy luxury” considera que a compra de artigos de luxo, comprovadamente reconhecidos como de elevada qualidade e durabilidade, é um dos comportamentos que mais contribui para um consumo sustentável.

Esta tendência faz antever uma importante crise nos modelos de negócio centrados em produtos de qualidade média baixa. Para estes negócios, esta ameaça é de facto real, veja-se o artigo publicado no Portugal Têxtil com o título “E se os consumidores abandonarem a fast fashion ?”, onde são analisados os impactos desta eventual realidade na industria têxtil.

Mais uma vez, uma mudança que implica rever modelos de negócio e posicionamentos de marcas.

A Hibridação do Mundo

A Hibridação do Mundo

Esta pandemia veio hibridizar o mundo; o mesmo é dizer, fazer-nos pensar a vida como uma combinação de mundo físico e digital.

Surgiu até uma nova Buzzword: Phygital.

É evidente que não foi a pandemia a trazer o mundo digital, ou sequer a sua inclusão nas nossas vidas pessoais e profissionais; mas veio sim estender a “miscigenação” entre este e o tradicional mundo físico.

Até ao surgimento da pandemia e das medidas, que devido a esta, todos tivemos de tomar para garantir a segurança e sobrevivência de pessoas e empresas, existiam um conjunto de realidades da vida que se mantinham estrita, ou preferencialmente, no mundo físico, como o convívio com amigos e família, reuniões cruciais de vendas, reuniões de equipa, feiras profissionais, congressos e um sem numero de outros exemplos.

hibridacao-mundo

Alguns destes eventos, senão todos, são imprescindíveis para a vida de pessoas e organizações. Estamos assim perante uma necessidade e uma impossibilidade, dado o risco de vida.

No decorrer destes longos meses pandémicos tenho participado e assistido a verdadeiros esforços criativos, pessoais e empresariais que permitem a transformação de eventos como os que referi.

Esse esforço coletivo que recusa privar-se do que é essencial, gerou não só novas ideias, como a tecnologia e a organização necessárias à execução das mesmas; assim como uma mudança comportamental e comunicacional.

Como exemplo temos o desenvolvimento comunicacional em 2D (digital, pois acontece no plano de um ecrã) devido à impossibilidade 3D (física, que acontece de forma tridimensional).

A comunicação corporal é diferente em cada um dos planos e para a maximizar no 2D é preciso o recurso à tecnologia adequada. Hoje é comum nos preocuparmos com a câmara, o som, a luz, o fundo, a largura de banda. Pessoas e organizações estão a apetrechar-se e a aprender a comunicar com eficácia nesta nova realidade.

Um outro exemplo é o das feiras internacionais, eventos fundamentais para o negócio B2B, onde o desenvolvimento de relacionamentos em ambiente 3D permite gerar a confiança necessária a compras muito refletidas e com processos de compra multi-stakeholders.

Estas feiras são também elas um negócio e um contributo para a hotelaria, o qual deixou de existir.

O setor, tal como o das conferencias, está em profunda transformação, tendo já durante este ano convertido alguns eventos para o digital. Paralelamente desenvolveram ferramentas para encarar um 2021 de forma híbrida. Um bom exemplo é a nova plataforma desenvolvida pela Koelnmesse, bem explicada neste vídeo.

Esta atitude é critica para a geração de valor, porque se simplesmente transmitirmos por zoom ou plataforma similar, não vamos gerar a perceção de valor necessária para gerar interesse em participar e em pagar por isso. É preciso desenvolver novos serviços e novas formas e conteúdos de comunicação.

Quem não perceber esta realidade e não tiver uma atitude similar, esperando que a antiga normalidade chegue, vai perder um tempo crucial de preparação e resposta.

Planear 2021 implica pensar em atividades híbridas e numa afetação de recursos não convencional.

O futuro será híbrido.

Boas festas e um 2021 pleno de saúde e realizações.

  • Escrito e publicado em 2021

Clubhouse – A “culpa” é do Elon Musk

Club House: a "culpa" é do Elon Musk

clubhouse-elon-musk

Clubhouse é a app do momento. Vem acrescentar mais uma forma de nos relacionarmos, aprendermos e trabalharmos.

A “culpa” é do Elon Musk. “Culpa” no bom sentido, uma vez que foi quem, por a ter adotado, há umas semanas, a tornou no fenómeno do momento. A sua utilidade satisfaz de tal forma uma lacuna nas redes sociais, que o Facebook e o Twitter já vieram afirmar que estão a trabalhar numa alternativa.

Trata-se de uma aplicação de salas de chat áudio, que simulam um café, uma conferência ou uma sala de reuniões; simulação essa muito relevante nestes tempos de confinamento e na consolidação da vida digital.

É uma app que apenas se pode subscrever quando se é convidado. Não é explicita a razão para tal acontecer, mas obviamente que, do ponto de vista da procura este facto gera muito mais vontade de pertencer; de tal forma que é o “must have” do momento. O facto de estar na versão beta (ainda não teve um lançamento oficial) pode também contribuir para este facto. Trata-se de um fenómeno que, segundo noticiou o New York Times, cresce ao ritmo 2 milhões de subscritores por semana.

Uma vez subscrita, o seu funcionamento é muito democrático, sempre que os utilizadores a utilizam como sala publica para discutir os mais variados assuntos (se for de modo privado só os convidados podem usar).

Quando se entra escolhe-se a conversa/sala em que se quer entrar e pode-se ouvir a conversa e, eventualmente, solicitar participar. Para compreender melhor o seu funcionamento recomento este artigo do Eco.

Instalei há pouco tempo e tenho usado esporadicamente, mas posso testemunhar que todos ficamos mais próximos de algumas celebridades ou figuras publicas e da sua partilha de conhecimentos. Ontem entrei e, de repente, estava numa sala com o Marc Randolph, cofundador da Netflix, a ouvir os seus conselhos para start-ups.

O potencial de utilização de forma lúdica ou profissional é enorme. Desde logo pode ser usada de forma ativa (criar salas sobre temas que me interessam e conversar sobre eles) ou passiva (ouvir o que se diz sobre determinadas temáticas).

De forma ativa esta ferramenta pode ser usada como um complemento a blogs ou Linkedin potenciando o networking e a comunicação de conteúdos relevantes. Relativamente aos podcasts tem a vantagem de o ouvinte, quando autorizado, poder participar e a desvantagem de ser efémera ou ao vivo; isto é, o conteúdo das conversas não fica gravado.

Passivamente podemos aprender e informamo-nos através do acesso a pessoas, habitualmente inacessíveis, se a tendência de utilização por figuras públicas, especialistas e keynote speakers se mantiver. Originalmente a plataforma foi criada para troca de ideias entre profissionais de C-Level, ideia rapidamente expandida.

Até agora a plataforma não tem sido muito utilizada por políticos, mas pode vir a ser uma excelente plataforma de aproximação destes aos seus eleitores. Embora temas estruturais e fraturantes como a morte de George Floyd tenham sido amplamente discutidos na plataforma, com a presença de figuras pública como Oprah Winfrey.

Certamente que, como as anteriores redes sociais, esta app, levanta algumas questões, sendo uma versão beta, tem ainda melhorais a fazer ao nível das ferramentas de moderação. Também não se conhece quais os mecanismos utilizados para evitar a sua utilização sobre temáticas e objetivos criminosos ou ofensivos dos direitos humanos. Trata-se de um grande desafio para que a democracia e a liberdade sejam possíveis e, simultaneamente, o social e juridicamente condenável, sejam banidos.

Escutamo-nos um dia destes na Clubhouse.

  • Artigo escrito e publicado em 2021

Gerir em Tempos de Pandemia

Gerir em Tempos de Pandemia

gerir-tempos-pandemia

A pandemia covid19 trouxe-nos uma nova realidade socioeconómica que tem impacto em todas as dimensões da vida pessoal, social e profissional.

Em termos gerais, as inibições e dificuldades à circulação de pessoas e bens vem acelerar, a todos os níveis, a digitalização; isto é legitimar e tornar urgente a adoção do paradigma 4.0.

Este facto apresenta significativos desafios às organizações, uma vez que implicam uma mudança originada pela inevitável digitalização e deslocalização do trabalho que esta ameaça de saúde implica. A consultora Accenture, caracteriza e apresenta um plano muito claro para estes desafios, caracterizando-o como um “Local de Trabalho Elástico e Digital”.

A vida das pessoas e das organizações, não mais será igual. O Imperial College de Londres, apresenta um estudo onde se prevê, caso não exista vacina, um reaparecer do surto para outubro, que poderá originar outra crise idêntica. Temos de aprender e estar preparados.

Os impactos têm distintas graduações função da tipologia e setor do negócio.

No retalho alimentar o impacto é essencialmente na cadeia de abastecimento e nos recursos humanos. Hoje as empresas procuram criar redundâncias na sua cadeia de abastecimento a fim de evitar falhas e têm o desafio de manter motivados e saudáveis, os seus colaboradores, que estão a ser submetidos a situações de risco superiores às da população em geral.

No retalho não alimentar verifica-se um aumento significativo da procura do canal digital, criando também desafios na cadeia de abastecimento e colocando sob pressão a rentabilidade das lojas físicas.

Ao nível da indústria B2B que normalmente tem uma venda consultiva com recurso a uma força de vendas conhecedora dos produtos e de um processo que permite o valor acrescentado da consultoria ao cliente; o desafio é transformar esse processo, normalmente presencial, em um processo digital. O impacto na produção, que não tem elasticidade para deslocalizar, tem o desafio de manter saudáveis os colaboradores e assegurar uma cadeia de abastecimento sem ruturas, para responder a uma procura que sofre os óbvios constrangimentos.

Os serviços é o setor onde os impactos são menores, uma vez que a deslocalização e elasticidade eram já uma realidade antes desta pandemia. A intangibilidade dos serviços permite, na maioria dos casos, ter a sua produção e entrega confinada a recursos concentrados num computador, sendo praticamente indiferente o local de trabalho.

Ainda que possamos, com recurso às tecnologias digitais, desenvolver elasticidade do local de trabalho, colocam-se às lideranças e às equipas desafios que implicam aprendizagem, alterações culturais, de processos e de comunicação.

Gerir e trabalhar não mais serão iguais na fase pós covid19.

  • Artigo escrito e publicado em 2020

Co-Branding

Co-Branding

co-branding

A construção de marca não é mais uma tarefa apenas da empresa que a detém, ela passou a ser cocriada pelos seus stakeholders, principalmente os consumidores.

O passa palavra sempre foi uma forma de os consumidores participarem na construção da marca; contudo, o seu impacto, embora relevante, não tinha a dimensão e amplitude que as redes sociais lhe conferiram.

Até à criação das redes sociais a marca era observada do pondo de vista conceptual como o agregado de atividades desenvolvidas pela empresa detentora da marca, com 2 objetivos essenciais: vender e criar valor de marca. Este último era e é criado pela perceção que os consumidores têm dos touch points com a marca e cuja experiência e avaliação decorre das atividades feitas pela empresa.

Hoje já não é assim. A perceção dos stakeholders não só é construída pelas atividades da marca, mas também por todos os conteúdos que são gerados, principalmente pelos consumidores, nas redes sociais.

Hoje o consumidor é um cocriador da marca, pois os conteúdos que produz tem uma amplificação e um impacto inolvidável na criação ou destruição de valor.

O crescimento do investimento nos media digitais não ocorre apenas porque o consumidor consome mais esses meios que os tradicionais, mas também porque provocaram a desintermediação do negócio e, acima de tudo, porque esses investimentos têm um efeito multiplicador muito significativo por via da partilha e comentários efetuados pelos consumidores.

Temos assim a marca criada numa relação biunívoca entre empresa e consumidores.

Não é mais possível desenvolver estratégias de marca para que cresçam aos ritmos de atualmente, sem considerar o digital.

Uma ideia do género: “nós não estamos no digital, avaliámos prós e contras e existem riscos que não controlamos; como por exemplos comentários negativos; por isso não estamos no digital”, é ela própria destruidora de valor.

Por isso, a marca para estar no digital, tem de ter um nível de performance muito bom em todas as atividades que desenvolve, para evitar comentários negativos. É através da eficiência e performance que se evitam os designados comentários detratores ou destruidores de valor.

A cocriação implica também uma “escuta permanente” das redes sociais para que possamos gerir e retirar da amplificação social todo o valor que ela contém; assim como prevenir eventuais efeitos negativos.

Os marketeers já não são os únicos construtores de marca, agora dividem esse trabalho com os seus stakeholders.

  • Artigo escrito e publicado em 2020

A Lavagem 4.0

A Lavagem 4.0

A desinfeção e a lavagem, sempre foram temas muito importantes na industrial alimentar, mas hoje com a pandemia do COVID-19, a sua importância cresceu muito.

Se tomarmos como exemplo as indústrias de padaria e pastelaria essa importância sempre foi grande, uma vez que são indústrias onde a presença de leveduras de fermentação, por um lado e açúcar, por outro, este último é alimentação preferida das leveduras, são uma constante; ou aliás, uma matéria prima.

Se o contacto das leveduras com o açúcar não for devidamente controlado, por forma a ocorrer sempre e apenas quando necessitamos da fermentação dos bens alimentares, então vamos ter focos de contaminação por toda a nossa fábrica/empresa.

Esses focos de contaminação serão autênticos ninhos de bactérias perigosas para a vida humana e para o gosto/paladar e longevidade dos alimentos que produzimos e comercializamos.

As normas HACCP, preveem procedimentos, fluxos e regras que tendem a evitar, riscos de segurança alimentar; entre eles, os tipos de contaminação referidos.

Um desses procedimentos é, obviamente a lavagem de todos utensílios e recipientes utilizados nessas indústrias; das formas aos baldes das amassadeiras, até a caixas e aos tabuleiros e carrinhos que vão ao forno.

Estes últimos tem um problema acrescido não ligado à contaminação bacteriológica, mas ao aspeto, paladar do produto e saúde pública.

Os referidos carros e tabuleiros, enquanto estão no forno são sujeitos a elevadíssimas temperaturas, o que na verdade, mata qualquer bactéria, mas também carboniza todos os resíduos de farinha e massa que estão soltos dos produtos que levam a cozer.

Se esta carbonização não for removida regularmente, como se de um processo de lavagem se tratasse, esta pode transferir-se para o produto. Quer por precipitação, quer por fricção ou mesmo por integração, no caso da base onde depositamos, por exemplo, um pão para ir ao forno, estar completamente carbonizada.

Estes factos têm influência no paladar/gosto e se for em doses excessivas ou repetidas contribui para a potenciação do cancro.

Nos tempos que vivemos a higiene e desinfeção contribui, em primeira instância para a redução dos riscos de contaminação entre trabalhadores e de seguida para os nossos clientes.

Em resumo a qualidade e contribuição para a saúde pública dos nossos produtos e a segurança e saúde dos nossos colaboradores e clientes; são 3 elementos essenciais para a sustentabilidade e sucesso do nosso negócio e, dependem da desinfeção, da higiene e da segurança alimentar.

Existe hoje no mercado uma máquina, a Multiwasher, que podemos designar de inovadora, porque resolve todos estes problemas de forma única.

lavagem-4.0

Esta máquina por ter sido desenvolvida e aperfeiçoada pela Somengil, uma empresa que que se dedica à lavagem e desinfeção desde 2002, apresenta um conjunto de características e benefícios que a tornam única e imbatível no mercado, e por isso inovadora.

Desde logo a área de engenharia da Somengil desenvolveu uma máquina em cabina vertical e em circuito fechado, que permite poupanças em toda a linha: água, energia, detergente e espaço, uma vez que a sua multifuncionalidade permite lavar todos os utensílios existentes numa padaria ou numa pastelaria; evitando a necessidade de ter outros equipamentos de lavagem.

Além disso, este conceito de máquina, permite efetuar lavagem a temperaturas (colocar o range de temperaturas) que permitem aquilo a que tecnicamente se designa por higienização, isto é garantir a inexistência de organismos microbiológicos nocivos à saúde humana.

Por outro lado, o sistema de circulação de água quente em circuito fechado e em alta pressão, aliada a possibilidade de utilização de uma maior dosagem de detergente, permite resultados de descarbonização inigualáveis. Um carrinho que vai a regularmente ao forno de uma padaria, fica praticamente descarbonizado na sua primeira lavagem e em 5 a 10 lavagens (dependendo do grau de carbonização) apresenta um aspeto totalmente descarbonizado.

Para compreender melhor como se atingem estes resultados entremos no detalhe de um processo de lavagem (descrever o processo de lavagem).

Com a Multiwasher garante eficiência, sustentabilidade e segurança através da lavagem, higiene e desinfeção. Prepare-se para um novo estágio da lavagem, o 4.0.

  • Artigo escrito e publicado em 2020

A Inevitabilidade da Digitalização do Comércio

A Inevitabilidade da Digitalização do Comércio

A digitalização de todas as dimensões da sociedade tem seguido um ritmo natural de uma revolução que muda o paradigma. É o curso da História.

Com o surgimento da pandemia COVID -19 este ritmo foi significativamente acelerado e tornou inevitável a sua adoção em certas áreas da sociedade e da economia. É esse o caso do retalho.

A inevitabilidade da adoção das tecnologias digitais é imposta pelas preferências do consumidor, a verdadeira razão ser do retalho.

Com o confinamento os consumidores aumentaram a preferência pela compra online e aumentaram o peso deste canal. Acredito que a comodidade, a variedade de produtos e serviços e a competitividade de preço apresentadas neste canal, vão tornar permanente e crescente, esta preferência.

Importa também salientar que esta realidade de confinamento também gerou outras oportunidades; entre outras, renovou o valor do comércio local e dos seus serviços, como por exemplo as entregas.

Ainda que o comércio local surja valorizado ele não pode descorar a sua conjugação com uma estratégia digital.

Uma estratégia digital de comércio tem diversos níveis e dimensões:

Pegada Digital

É a presença que permite aos consumidores encontrar o estabelecimento na internet, a sua designação, descrição genérica da oferta e os seus contactos.

Esta pegada digital, tem ela própria vários níveis. Começando pela sua presença no Google Business, a sua sinalização nos mapas e aplicações mais utilizadas para deslocação e, eventualmente, com um site pouco interativo.

Presença Relacional

Acresce à pegada digital e é composta por um site interativo, onde o consumidor pode interagir com a empresa. Normalmente é composto por um site que permite essa comunicação e pela presença em redes sociais como o Facebook e o Instagram, entre outras.

Ecommerce

Nesta fase uma loja física, tem também a possibilidade de os consumidores comprarem os seus produtos online.

inevitabilidade-digitalizacao-ecommerce

Do meu posto de vista estas dimensões são cumulativas e devem ser tomadas em conjunto.

Se é simples criar a pegada digital e até fazer um site informativo sobre um negócio e sua oferta, já uma presença relacional implica afetação de recursos e competências de forma continuada para criar e dinamizar o relacionamento com os clientes.

Mais difícil ainda é criar e desenvolver o inevitável ecommerce. Importa refletir estrategicamente sobre esta presença.

Desde logo há que pensar no sortido. O sortido a vender no canal digital, não tem obrigatoriamente de ser igual ao da loja física. Para a sua seleção deve ter-se em atenção quais os produtos mais distintivos e diferenciados que existem na loja, pois para estes existirá menos concorrência e, por consequência menos pressão sobre o preço.

Para os produtos mais genéricos importa fazer uma análise da concorrência e compreender qual o preço praticado. Nem sempre se consegue ter o preço mais competitivo. Como forma de esbater as diferenças de preço, pode-se gerir os tempos de entrega, seus custos, formas de pagamento e política de devolução.

Importa também refletir sobre as possibilidades de venda e sua comunicação.

Os produtos online podem ser vendidos em lojas próprias digitais ou em marketplaces (mercados digitais).

As lojas próprias podem estar ligadas ou dentro do site da loja ou alojadas em serviços como o dos CTT. Aqui apenas são vendidos os produtos de uma loja. Tem-se a possibilidade de manter a coerência da identidade visual da marca e o desafio de desenvolver uma estratégia de comunicação que faça com que o consumidor nos encontre.

Os marketplaces são lojas digitais de levado tráfego de consumidores, que para além dos seus produtos, vendem também produtos de terceiros. O exemplo máximo é a Amazon. Em Portugal temos a Dott, a Fnac,  a Worten e a Farfetch, entre outros.

Como numa loja física se escolhe a localização correta para atrair os clientes ajustados ao nosso negócio, também a escolha de um Marketplace, deve ser ajustada à oferta do sortido a vender.

Pode parecer um contrassenso vender produtos em lojas digitais que podem ser nossas concorrentes, mas em determinadas circunstâncias não é.

Frequentemente se adotam estratégias mistas de comercialização em lojas próprias e em marketplaces.

Não basta apenas colocar os produtos à venda, é depois necessário desenvolver uma estratégia de comunicação que passe pela divulgação e promoção no Google, Facebook e instagram.

Em suma, dar o inevitável passo para o ecommerce, como qualquer decisão estratégica de negócios, tem de ser pensado, estudado e refletido.

  • Artigo escrito e publicado em 2020

TikTok – O Novo Meio

Tik-Tok: o novo meio

tik-tok-o-novo-meio

O TikTok é a nova rede social. O seu crescimento é já um sucesso e indicia uma moda.

Nunca as inovações e a criação de novos media foi tão rápida e mudou tanto como neste paradigma 4.0.

A imprensa foi criada em 1430, a rádio em 1896, a televisão em 1926, o LinkedIn e o Facebook em 2003/4 e o TikTok inicia o seu percurso em 2018, consolidando-se em Portugal em 2020. Cada vez distam menos anos entre cada invenção.

Esta síntese histórica é reveladora de várias coisas: a progressão do conhecimento e a capacidade de invenção humana, assim como a necessidade de adaptação, cada vez mais frequente, a novos meios e formas de comunicação.

O TikTok tem propósitos lúdicos e tem agregado um editor de vídeo combinado com áudio, permitindo a criação de pequenos vídeos que podem ser acelerados ou desacelerados por forma a sincronizar áudio e vídeo.

Na prática, está a ser generalizada a sua utilização para publicações de pequenos vídeos de dança, canções e trechos de humoristas. A música ou voz original é sincronizada com o vídeo da pessoa que publica. O resultado são uns vídeos divertidos; tornando-se algumas danças músicas e tiradas humorísticas, autênticos ícones que são repetidos infinitamente por muitos utilizadores.

Esta adoção de ícones chegou ao nível dos artistas, famosos e influencers; isto é, atores, músicos, humoristas e personalidades em geral, à escala mundial, adotaram estas referências para comunicar no TikTok e alavancarem a sua notoriedade.

O fenómeno revela também que a cada invenção de uma nova rede social, aumenta a informalidade e a diversão.

Os profissionais das redes sociais adotam, numa primeira instância, os critérios editoriais naturalmente criados pelos utilizadores da rede, como forma de se integrarem, mas depois, passam também a usá-la para publicarem vídeos com os seus critérios editoriais.

Quando se aborda um meio em termos profissionais, é sempre uma questão de audiência. A do TikTok é já muito apetecível, e por isso está a ser tomada por profissionais que, primeiro se adaptam e depois a transformam em função dos seus objetivos. Este apetecível fenómeno de transformação tem o risco de criar uma perceção negativa ao utilizador e de destruir o valor da imagem de quem o faz.

Vamos ver como será o futuro do TikTok e como marcas, marketeers e profissionais da comunicação geram formas criativas para comunicar através dela, evitando o risco de perverter a rede em seu favor.

A sua utilização é, a meu ver, inevitável.

  • Artigo escrito e publicado em 2020

A Aceleração do Paradigma Digital

A Aceleração do Paradigma Digital

Já há alguns anos que sabemos que este paradigma digital/4.0 é a nova normalidade e que durará até meados deste século. Contudo esta perceção não é homogénea na sociedade, nos negócios e nas diferentes geografias.

A Covid 19 veio acelerar significativamente quer as perceções, quer a compreensão e adoção desta nova normalidade.

aceleracao-paradigma-digital

Vejamos algumas das acelerações e suas implicações.

Um recente estudo da McKinsey, refere que nos EUA, em 3 meses de pandemia, a penetração do comércio digital cresceu o equivalente a 10 anos de ritmo normal. Esta realidade vai, muito em breve, implicar o repensar das lojas, em termos de dimensões e funções, provavelmente dando mais evidência ao showroom e à experiência de loja e menos à transação.

A mudança da energia fóssil para a energia elétrica gerada de forma alternativa está a ser também acelerada, até porque fortemente apoiada pelas organizações governamentais, que indexam os subsídios inerentes à recuperação da crise, à adoção da sustentabilidade e do digital.

Esta realidade não só tem impacto no ambiente, como vem efetuar uma alteração estrutural na geopolítica. O Economist referia no artigo 21st Century Power a criação de uma nova ordem energética que vem determinar uma nova relação de forças entre países e regiões, uma vez que as novas fontes de energia são mais democráticas e  disponíveis de forma relativamente homogénea por todo o mundo, ao contrário do petróleo e do carvão.

A expansão e consolidação do teletrabalho é também um facto derivado desta pandemia e veio gerar a discussão sobre a importância do escritório, da sua decadência e do repensar da cultura empresarial e do trabalho em equipa.

A comunicação interna tem de repensar toda a usa estratégia geradora de contributo para o desenvolvimento da cultura organizacional e para o compromisso dos trabalhadores à luz de uma realidade cada vez menos física. Jovens admitidos em grandes empresas de serviços durante a pandemia, viram a sua integração e trabalho de meses, ser efetuado sem nunca terem ido ao escritório ou terem conhecido pessoalmente algum colega. Entrar no mundo do trabalho de esta maneira, provoca desafios grandes aos entrantes e às organizações.

Por seu lado, as marcas terão de incorporar, em todas as variáveis do marketing mix, todas estas tendências realidades e perceções.

  • Escrito e publicado em 2021