Portugal, desde relativamente cedo na sua história, percebeu que a sua sobrevivência, ambição e felicidade dependiam de um espaço maior que o seu território.
Os Descobrimentos são a primeira materialização coletiva dessa consciência.
Essa realidade não mudou e penso que os empresários e gestores portugueses tem essa consciência bem explicitada na SWOT do seu negócio. Temos pouca população, e um PIB per capita que é o 49º em 195 países.
Face ao exposto, uma empresa ou marca portuguesa que esteja presente apenas no mercado português tem um futuro e aspirações muito limitadas, e por consequência, uma vez que a riqueza e o bem-estar da população dependem do que a economia produzir, o País também fica limitado nas suas ambições.
Durante a nossa histórica económica, se começarmos nos descobrimentos e a passos muito largos, podemos afirmar que o nosso verdadeiro embate competitivo, do ponto de vista económico, deu-se quando fomos expostos ao mundo que é o mesmo que dizer pós-25 de abril. Senão vejamos: No período dos territórios ultramarinos tínhamos, por um lado a sua riqueza de matérias primas e, por outro, a proteção e garantia de exportação para esses territórios, mais tarde com a ditadura acumula-se a proteção dada pela lei do condicionamento industrial.
Desde então e até agora, como se verifica no gráfico abaixo, o esforço da economia no sentido da exportação foi significativo e os seus resultados, um contributo determinante para o bem-estar da população.
Para estes resultados contribuíram também alguns eventos políticos como a adesão à União Europeia, o acesso aos seus fundos e a adesão ao Euro.
Evolução das Exportações de Portugal (PORDATA)
Atualmente as exportações representam cerca de 45 a 50% do PIB, facto que demonstra a relevância atual da internacionalização das marcas e negócios portugueses.
Este facto tem as obvias vantagens de produção de riqueza e os perigos de sermos uma economia muito aberta ao exterior que pode sofrer bastante se algo acontece aos mercados para onde exportamos.
Por outro lado, se analisarmos o que exportamos (gráfico abaixo; Fonte: Chat GPT), verificamos que as viagens e turismo estão acima dos 15%, o que revela maior dependência deste e a necessidade de aumentar o peso da exportação dos outros setores.
Portugal (empresários, gestores e governo) tem assim de prestar muita atenção às suas exportações e tomar medidas para reduzir vulnerabilidades e reforçar as exportações.
Hoje vivemos num mundo global e VUCA (Volátil, Incerto, Caótico e Ambíguo), pelo que temos de estar conscientes de que mudanças podem ocorrer e deveremos ser ágeis na adaptação; o que implica uma leitura permanente do contexto onde se fazem negócios.
Outros dois elementos importantes a tomar em atenção é a diversificação geográfica e de produtos e serviços a exportar, para que assim se possa reduzir riscos de quebra de exportações e evitar situações como a que hoje ocorre na Alemanha.
Segundo o modelo de internacionalização de Uppsala, a internacionalização das empresas segue um processo continuo de evolução que começa com exportações esporádicas e termina com a criação de subsidiárias nos países mais relevantes.
Alguma empresas portuguesas têm feito este percurso, outras mantêm-se apenas na fase de exportação.
As empresas enquanto entidades dinâmicas têm de mudar, evoluir, adaptar-se, senão entram em entropia e morrem; por isso importa evoluir nas fases de internacionalização para garantir o crescimento e a resiliência necessária para sobreviver neste Mundo VUCA.
Para o efeito importa um alinhamento, entre todos os intervenientes, quanto à perceção do Mundo em que vivemos e dos caminhos, competências e recursos necessários para nele ter êxito.
A cooperação, formação e comunicação destas temáticas são também um contributo relevante para a economia portuguesa. Neste particular destaco o Prémio de Inovação na Internacionalização desenvolvido pela COTEC e pelo World Trade Center Lisboa, onde empresas como a Colquímica e a Somengil foram premiadas pelo seu percurso de internacionalização.
A esperança e o futuro de Portugal passam, em minha opinião, como sempre passaram, pela cooperação e internacionalização das suas atividades económicas.
António Jorge
Consultor, Executivo e Docente Universitário
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