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A Relativização da Cultura

A natural evolução do Homem implica também uma evolução nas culturas e essa evolução está, em minha opinião, a relativizar a importância da mesma para o Homem e para Sociedade.

Os ativos estratégicos de uma empresa são os ativos que permitem a sua diferenciação face aos demais concorrentes e a sustentação do negócio no longo prazo.

A importância relativa de cada uma dos tipos de ativos tem vindo a sofrer alterações ao longo do tempo, principalmente devido ao desenvolvimento tecnológico e às alterações socioeconómicas.

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Se em, tempos idos, a investigação & desenvolvimento (I&D) desempenhava um papel preponderante e dominante, hoje face à difusão de informação este ativo tornou-se facilmente copiável, quando não protegido por patente e, por consequência, a sua importância relativa diminuiu.

O contrário acontece com os ativos menos copiáveis e que estão todos eles muito relacionados com as pessoas e a forma como estas interagem entre si: A orientação real e efetiva para o cliente, a cultura empresarial, o nível de envolvimento dos colaboradores e a capacidade que a organização tem de mudar e reagir rapidamente às alterações socioeconómicas e às preferências dos consumidores.

Por ultimo, o ativo que tem visto o seu peso relativo manter-se constante, a marca.

O exposto acima realça a importância do marketing e da gestão de marca, mas altera a graduação de importância que esta deve dar aos elementos que gere; nomeadamente o foco que se tem de dar á comunicação e gestão dos recursos humanos suplantou a importância da I&D.

Novos tempos, implicam novas estratégias na gestão do ativo marca.

A natural evolução do Homem implica também uma evolução nas culturas e essa evolução está, em minha opinião, a relativizar a importância da mesma para o Homem e para Sociedade.

A cultura de que falo é a que Geert Hofstede define no seu livro Cultures and Organizations como um fenómeno coletivo, ou mais precisamente uma programação coletiva da mente que distingue os membros de um grupo dos membros de outro grupo.

O aumento do nível de vida e a significativa redução dos custos de mobilidade, criam um contacto frequente e significativamente longo para desenvolver, não só o espirito crítico inerente ao confronto com diferentes valores, símbolos e rituais; mas também uma necessidade de adaptação para uma sã e frutífera convivência com os demais.

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Fundada nestes dois drivers: evolução intelectual através da análise critica e necessidade de ajustamento para adaptação a novas realidades, a relativização é apenas uma consequência.

Tal facto analisado por uma mente conservadora é algo de negativo e a conter, pois mudança, a adaptação e o espirito crítico, é desconforto e medo. Numa mente progressista, reformadora ou inovadora, esta é uma realidade bem aliciante, pois é mais conhecimento e desenvolvimento.

Os valores da família, por exemplo, são assim confrontados com outras formas de construir e viver este agregado, assim como os valores da Nação, dadas as interações transnacionais. É a evolução, com impactos e velocidades muito distintas do passado.

Acontecendo esta realidade, como ficam os conceitos e metodologias de gestão de marca que se centram na definição de valores e experiências de marca que se pretendem constantes no longo prazo para chegar à designada marca forte?

Penso que os conceitos e metodologias ficam fragilizados. Hoje as marcas fortes constroem-se com uma narrativa e relação com as marcas que passa por conceitos menos estáveis e mais efémeros, contudo coerentes e relevantes.

Feliz Natal

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